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Polícia

PM e três advogados são alvos de operação que desarticula esquema de agiotagem com juros de 70% ao mês em Manaus

Grupo atuava contra servidores do Judiciário e cobrava dívidas com intimidação psicológica; dois mandados de prisão e 16 buscas foram cumpridos na segunda-feira (27)

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Divulgação

O Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), deflagrou na manhã desta segunda-feira (27) a Operação Usura, que desarticulou uma organização criminosa suspeita de agiotagem, extorsão e associação criminosa. Um policial militar e três advogados estão entre os investigados.

A investigação, que durou cerca de quatro meses, teve início após a denúncia de uma servidora do Poder Judiciário, que relatou a atuação do grupo contra servidores públicos. Segundo o Gaeco, a organização concedia empréstimos com juros abusivos que chegavam a 70% ao mês e utilizava métodos de cobrança baseados em intimidação psicológica para garantir o pagamento das dívidas.

Mandados e apreensões

Nesta fase da operação, foram cumpridos dois mandados de prisão — um deles ainda pendente, com o investigado considerado foragido — e 16 mandados de busca e apreensão em imóveis localizados nos bairros Japiim, Ponta Negra, Centro, Adrianópolis e Flores, em Manaus. Durante a ação, duas pessoas foram presas em flagrante, uma delas por desacato.

As equipes apreenderam dois veículos, dinheiro em espécie, joias, documentos e aparelhos celulares. Cerca de R$ 160 mil em espécie foram localizados preliminarmente, além do bloqueio de contas bancárias dos investigados.

Estrutura criminosa

Os investigadores apontam que a organização criminosa concedia empréstimos de até R$ 200 mil por vítima, com juros entre 30% e 70% ao mês. As vítimas são, em sua maioria, servidores do Poder Judiciário. Ainda não é possível estimar o prejuízo financeiro total causado pelo esquema nem o período exato de atuação do grupo.

Um policial militar já havia sido preso na última quarta-feira (22) por envolvimento no esquema. Os escritórios dos três advogados investigados também foram alvos de buscas, por serem vinculados diretamente aos suspeitos.

Investigação em andamento

O coordenador do Gaeco, promotor Leonardo Tupinambá, informou que as investigações prosseguem sob sigilo para aprofundar a apuração dos fatos, identificar a totalidade das vítimas, dimensionar os prejuízos e verificar a eventual participação de outros envolvidos. O promotor André Epifânio conduz as investigações com apoio dos demais membros do Gaeco.

As equipes seguem em diligências para localizar o investigado foragido e dar continuidade às apurações. O caso também pode levar a novos desdobramentos nas próximas semanas, incluindo a identificação de outras vítimas e a ampliação das medidas judiciais contra os integrantes do grupo criminoso.