Política
“Não tenho como confrontar o presidente”: Lula intervém e Marcelo Ramos desiste da pré-candidatura ao Senado pelo Amazonas
Ex-deputado federal atendeu a pedido direto do presidente em nome da “unidade da base aliada” e da reeleição de Lula; decisão consolida aliança entre PT, MDB e PSD no estado
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O ex-deputado federal Marcelo Ramos (PT) anunciou nesta sexta-feira (24) que desistiu da pré-candidatura ao Senado pelo Amazonas. A decisão foi tomada após um pedido direto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que telefonou para o ex-parlamentar e solicitou que ele abrisse mão da disputa em nome da estratégia nacional do partido e da unidade da base aliada no estado.
“Exatamente isso. Da mesma forma que, na eleição de 2024, o presidente Lula me fez um apelo para disputar a eleição e me filiar ao PT, agora, em nome do projeto nacional e da unidade da nossa base política, ele faz um apelo. Eu não tenho como confrontar o presidente, eu não tenho como gerar instabilidade no projeto de reeleição do presidente Lula, porque eu acho que isso é o mais importante para o Brasil”, afirmou Ramos em entrevista à jornalista Rosiene Carvalho.
Frustração e “consternação”
O ex-deputado reconheceu que a decisão foi difícil e admitiu a frustração da militância petista, que defendia uma candidatura própria ao Senado. “É um momento de frustração enorme. A militância do PT está muito consternada, eu também estou muito consternado. Tenho certeza de que muitas pessoas sentiam a necessidade de uma candidatura progressista nas eleições deste ano”, disse.
Apesar disso, Marcelo Ramos afirmou que continuará atuando politicamente em defesa do projeto do presidente Lula. “Minha história de militância não tem relação com mandato eletivo ou disputa eleitoral. Tem relação com propósito de vida. Serei um militante nas ruas pelo projeto de reeleição do presidente Lula, pela eleição das bancadas do PT e dos candidatos da nossa base”, declarou.
Aliança com Eduardo Braga
A desistência de Marcelo Ramos põe fim a semanas de tensão interna no PT amazonense. O ex-deputado havia sido oficializado como pré-candidato ao Senado pelo diretório estadual em maio, mas a decisão não foi alinhada com Omar Aziz (PSD) — pré-candidato ao Governo do Amazonas — e Eduardo Braga (MDB), que já era considerado favorito para a reeleição ao Senado.
Nos últimos dias, dirigentes estaduais do PT defendiam a manutenção da candidatura de Marcelo Ramos, enquanto o MDB sustentava que Eduardo Braga seria o único nome da coligação para a vaga. O impasse provocou divergências públicas entre aliados e acabou sendo levado para a direção nacional do PT, que optou por priorizar a unidade da base governista no estado.
Com a retirada de Marcelo Ramos, a convenção da Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV), marcada para este sábado (25), deve apenas formalizar o apoio à composição já construída nacionalmente, consolidando o alinhamento do PT do Amazonas à candidatura de Eduardo Braga à reeleição e à candidatura de Omar Aziz ao Governo do Estado.
Fim do impasse
A intervenção direta do presidente Lula coloca fim a um dos principais focos de tensão entre o PT amazonense e a aliança formada por Omar Aziz e Eduardo Braga. O Palácio do Planalto optou por priorizar a unidade da base governista no Amazonas, em um movimento que também visa fortalecer a estratégia nacional de reeleição de Lula em 2026.
Com a desistência de Marcelo Ramos, a convenção da Federação Brasil da Esperança deixa de ser palco de uma disputa interna e passa a oficializar a estratégia definida pelo Palácio do Planalto, reforçando a aliança entre PT, PSD e MDB no estado para as eleições de 2026.


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