Política
Campanha de Lula monitora “terceira via” e vê Renan à frente de Zema e Caiado
Presidente prioriza acenos ao eleitorado jovem, principal trunfo de 2022, mas candidato do Missão já lidera entre os jovens de 16 a 24 anos em pesquisas digitais; Renan aposta em debates e redes sociais para crescer sem verba de TV
Arte: Canal92am
A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição monitora de perto os nomes da chamada “terceira via”, mas a avaliação interna é de que não há espaço para que essas candidaturas rompam a polarização entre o petista e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Apesar disso, auxiliares do presidente projetam que Renan Santos, do recém-criado Partido Missão, deve ocupar o terceiro lugar no primeiro turno, à frente de governadores com maior estrutura partidária.
O que preocupa a equipe de Lula é justamente o público que pode ser atraído por Renan: os jovens. Em pesquisas de recrutamento digital, como a AtlasIntel, o empresário e coordenador do MBL lidera as intenções de voto entre eleitores de 16 a 24 anos. Na faixa etária dos 16 aos 24 anos, ele alcança quase 38% das intenções de voto, segundo levantamento da AtlasIntel/Bloomberg divulgado em julho.
O eleitorado jovem foi um dos principais trunfos de Lula na vitória sobre Jair Bolsonaro em 2022. Para tentar preservar esse apoio, o PT tem priorizado acenos ao grupo desde o início da campanha. No primeiro ato oficial, em São Bernardo do Campo (SP), no último domingo (16), a estratégia foi resgatar a figura de Lula “sindicalista”, uma tentativa de apresentar o passado do presidente ao eleitor jovem, que conheceu o petista somente após sua passagem pelo Palácio do Planalto.
Do outro lado, Renan Santos enfrenta desafios estruturais. Seu partido, criado em 2025, conta com a fatia mínima do fundo eleitoral e não terá tempo de propaganda no rádio e na televisão. Para compensar, a campanha aposta no engajamento virtual e na performance em debates. Renan já confirmou presença no primeiro debate presidencial da Band, no dia 23 de agosto, e avalia que a ausência de Lula e Flávio Bolsonaro pode ser benéfica. A equipe do Missão também pretende adotar uma linguagem “disruptiva” para prender a atenção dos mais jovens e intensificar as visitas a municípios menores.
Apesar do crescimento nas pesquisas, Renan rejeita o rótulo de “terceira via” e se apresenta como uma opção própria, crítica tanto ao governo Lula quanto ao bolsonarismo. Em sua campanha, o candidato tem apostado em críticas contundentes aos dois adversários, em uma tentativa de capturar o eleitor descontente com a polarização.


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