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Política

“Eu coloquei meu nome por inconformismo com essa polarização e radicalização insana”, afirma pré-candidato Augusto Cury

Escritor e psiquiatra lançou sua pré-candidatura à Presidência da República em Manaus e defendeu o diálogo como alternativa ao cenário político brasileiro

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Canal92am

O escritor e médico psiquiatra Augusto Cury afirmou nesta quinta-feira (4), durante o lançamento de sua pré-candidatura à Presidência da República pelo Avante, em Manaus, que decidiu entrar na disputa eleitoral por não concordar com o atual ambiente de polarização política vivido no Brasil.

Segundo Cury, sua candidatura surge como uma reação ao que classificou como uma radicalização crescente entre diferentes grupos ideológicos, fenômeno que, na avaliação dele, tem dificultado o diálogo e prejudicado a construção de soluções para os problemas do país.

“Eu coloquei meu nome por inconformismo com essa polarização e radicalização insana”, declarou.

Conhecido nacionalmente por suas obras voltadas à psicologia, inteligência emocional e comportamento humano, o escritor utilizou seu discurso para defender uma política baseada na escuta, na reflexão e no respeito às divergências.

Críticas ao radicalismo

Durante coletiva de imprensa, Augusto Cury afirmou que um dos maiores riscos para qualquer liderança é ser cercada por apoiadores que deixam de exercer senso crítico.

Segundo ele, quando uma pessoa passa a enxergar apenas qualidades em seu grupo político e apenas defeitos nos adversários, perde a capacidade de avaliar os fatos com equilíbrio.

“Os piores inimigos de um líder são aqueles que aderem a ele radicalmente. Porque esses inimigos, que parecem amigos, deixam de apontar falhas e corrigir rotas”, afirmou.

O pré-candidato também citou exemplos de diferentes correntes ideológicas para sustentar sua avaliação sobre os efeitos do extremismo político.

“Os piores inimigos de Marx foram os marxistas, de Trump são os trumpistas, de Bolsonaro são os bolsonaristas e de Lula são os lulistas”, declarou.

Para Cury, o radicalismo transforma adversários políticos em inimigos e impede o exercício da autocrítica.

“Quando você é um ‘ista’, o seu eu deixa de ser autor da própria história. Você vê todos os defeitos do opositor e só vê qualidades em quem está no seu próprio time”, acrescentou.

“Não há dois barcos”

Ao abordar o cenário nacional, o presidenciável afirmou que o Brasil precisa abandonar a lógica de divisão permanente entre grupos políticos e priorizar interesses comuns da população.

Segundo ele, independentemente das diferenças ideológicas, o país enfrenta desafios que exigem cooperação e diálogo.

“O Brasil não suporta essa polarização insana. Não há dois barcos. Há um barco só, chamado família brasileira”, afirmou.

Durante o discurso, Cury também destacou que os agentes públicos devem compreender seus cargos como uma função de serviço à sociedade.

“Quem ocupa um mandato é um empregado da população. O poder não deve ser usado para que a sociedade sirva ao governante, mas para que o governante sirva à sociedade”, declarou.

Referência religiosa

Ao falar sobre os efeitos do radicalismo, Augusto Cury utilizou ainda uma referência bíblica. O escritor mencionou o apóstolo Pedro para ilustrar como atitudes impulsivas podem comprometer projetos maiores.

“Quem são os piores inimigos de Cristo? São os cristãos radicais também. O mais radical era Pedro, que horas depois de dizer que morreria por Jesus, sacou uma espada e quase comprometeu todo o projeto que estava sendo construído”, afirmou.

Segundo o pré-candidato, o comportamento humano segue padrões semelhantes em diferentes áreas da vida, incluindo religião, política e relações sociais.

Agenda política em Manaus

A passagem de Augusto Cury por Manaus marca uma das primeiras agendas públicas de sua pré-candidatura à Presidência da República pelo Avante para as eleições de 2026.

O evento contou com a presença do presidente nacional da legenda, Luis Tibé, além de lideranças estaduais, parlamentares, dirigentes partidários e apoiadores.

Durante o encontro, representantes do partido apresentaram diretrizes para a construção do projeto político da sigla e defenderam uma alternativa ao atual cenário de polarização nacional.

Ao longo da programação na capital amazonense, Cury também participa de encontros com representantes de setores produtivos e lideranças locais para discutir propostas e desafios regionais.

A pré-candidatura do escritor coloca um dos autores brasileiros mais conhecidos da atualidade no debate político nacional, tendo como uma de suas principais bandeiras a defesa do diálogo, da saúde emocional e da redução dos conflitos ideológicos no país.