Polícia
PF mira R$ 574 mil em móveis de casa de Wilson Lima e investiga lavagem de dinheiro via pagamentos em espécie
Operação Verniz, desdobramento da Sangria, apura compra de mobiliário entre fevereiro e setembro de 2020, quando o ex-governador estava no primeiro mandato; notas fiscais foram emitidas em nome de cinco pessoas e arquiteto da obra é alvo de busca e apreensão
Reprodução
A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira (20) a Operação Verniz, que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro na aquisição de R$ 574.526,34 em móveis destinados a uma residência utilizada pelo ex-governador do Amazonas Wilson Lima (União Brasil) . A ação cumpre um mandado de busca e apreensão expedido pela Justiça e é um desdobramento da Operação Sangria, que apurou desvios de recursos públicos na saúde durante a pandemia de Covid-19 .
O foco da investigação é a origem do dinheiro empregado nas compras, realizadas entre fevereiro e setembro de 2020, período em que Wilson Lima exercia o primeiro mandato como governador . Segundo a PF, os pagamentos teriam sido feitos em dinheiro vivo, enquanto as notas fiscais foram emitidas em nome de cinco pessoas diferentes, a maioria prestadores de serviços que atuaram na reforma do imóvel . O arquiteto responsável pela obra, identificado como Pedro Rodrigues Batista Júnior, é apontado como intermediário das compras e dos pagamentos e foi o alvo direto da medida judicial cumprida nesta terça .
O elo com a Operação Sangria
A Operação Verniz nasce de desdobramentos da Operação Sangria, deflagrada em junho de 2020 para investigar a compra de 28 respiradores pelo governo do Amazonas junto a uma importadora de vinhos, em meio ao colapso da rede de saúde durante a pandemia . Na época, a PF apontou sobrepreço de 133,67% e um desvio potencial de até R$ 2,2 milhões na aquisição dos equipamentos . Wilson Lima foi alvo de buscas em casa e no gabinete, teve o celular apreendido e chegou a se tornar réu no Superior Tribunal de Justiça (STJ) em 2021 .
Foi a partir das apurações sobre os respiradores que os investigadores identificaram movimentações suspeitas relacionadas ao patrimônio do então governador, incluindo os R$ 574 mil em espécie usados para pagar móveis e serviços na reforma da residência onde ele morava com a então primeira-dama, Taiana Lima .
O que a PF quer saber
A investigação busca responder a três perguntas centrais: de onde veio o dinheiro, por que as notas fiscais foram emitidas em nome de terceiros e se houve mecanismos para ocultar a origem, a movimentação ou o destino dos valores . A PF também quer esclarecer se os titulares dos documentos fiscais efetivamente participaram das aquisições ou se seus dados foram usados para dissimular a identidade de quem financiou as compras .
O material eventualmente apreendido na busca desta terça será submetido a exames periciais e análises investigativas para subsidiar o prosseguimento das apurações .
A versão de Wilson Lima
Em nota, o ex-governador afirmou que não foi alvo da operação da Polícia Federal e disse desconhecer qualquer ação contra ele. Wilson Lima declarou ainda estar à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos . A PF não informou se ele é formalmente investigado ou se há comprovação de participação direta no esquema sob apuração .


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