Polícia
Operação Unha e Carne: Deputado eleito Márcio Canella e delegado são presos pela PF
Deputado estadual eleito e ex-prefeito de Belford Roxo foi detido em casa, na Barra da Tijuca, junto com o delegado Marcus Amim, ex-chefe da Polícia Civil; operação investiga esquema de lavagem de dinheiro que movimentou R$ 7,6 bilhões em postos de combustíveis
Reprodução
O deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil) e o delegado Marcus Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil, foram presos na manhã desta quinta-feira (15) na oitava fase da Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal. A ação investiga uma organização criminosa armada suspeita de usar uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio de Janeiro como plataforma de lavagem de dinheiro.
Canella, que foi o segundo deputado estadual mais votado nas eleições deste ano, com mais de 197 mil votos, foi preso em casa, em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio. Ele saiu de casa vestindo uma camiseta branca e foi levado para a Superintendência da PF, na Praça Mauá. Já Amim foi detido no bairro de Icaraí, em Niterói, onde mora.
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Quem são os presos
Além de Canella e Amim, foram presos outros quatro policiais civis:
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Christiano Gaspar Fernandes, inspetor e secretário municipal de Ordem Urbana de Belford Roxo;
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Giovanni Gaspar Fernandes, inspetor;
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José Carlos Alves de Souza Júnior, inspetor;
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Pablo Jukia Felix Ferreira, o Pablo Russo, inspetor.
O delegado Glaucio Paz da Silva foi alvo de buscas, mas não houve mandado de prisão contra ele. A Corregedoria da Polícia Civil acompanhou o cumprimento dos mandados contra os policiais investigados.
As acusações
Segundo a Polícia Federal, os investigados responderão, na medida de suas responsabilidades, pelos crimes de organização criminosa armada, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel.
A Justiça determinou ainda o sequestro de bens e valores e a suspensão das atividades econômicas de 112 empresas ligadas à rede de lavagem de dinheiro. Desse total, 96 são postos de combustíveis que estariam sendo usados para legalizar recursos de origem criminosa.
O esquema de R$ 7,6 bilhões
De acordo com relatório de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), enviado à PF, o grupo movimentou mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos. A investigação aponta que a rede de postos de combustíveis era usada para camuflar e legalizar os recursos, com “participação de agentes públicos e articulação político-institucional”.
Histórico da operação
A Operação Unha e Carne teve início em dezembro de 2025 e já soma oito fases. A investigação começou a partir de um suposto vazamento de informações sigilosas de ações policiais contra o Comando Vermelho (CV).
A sexta fase, realizada em julho deste ano, já havia mirando Canella e Amim. Na ocasião, Canella acabou preso em flagrante por porte ilegal de arma após a PF encontrar um fuzil calibre .556 em seu carro. Ele foi solto ao comprovar que a arma pertencia a um policial militar que fazia sua segurança.
Esse episódio levou à sétima fase, em setembro, quando o vereador do Rio de Janeiro Jorge Canella (União) foi preso por posse irregular de armas de fogo de uso restrito. Jorge não é parente de Márcio, mas adotou o sobrenome do padrinho político.
A ação desta quinta-feira se insere no âmbito da Força-Tarefa Missão Redentor II, coordenada pela PF para desarticular organizações criminosas no Rio, em conformidade com as diretrizes do Supremo Tribunal Federal na ADPF 635, a “ADPF das Favelas”.
Reação
Em nota, a defesa de Márcio Canella declarou: “Confio em Deus e na Justiça e tenho certeza de que tudo será esclarecido” . A defesa de Marcus Amim informou que não vai se pronunciar até ter acesso aos autos. A reportagem tentou contato com os demais investigados e com o União Brasil, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.
*Com informações de G1


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