Polícia
Comerciante é executado com cinco tiros após tentar separar briga de casal em Manaus; suspeito é policial militar
William Crame, de 38 anos, ouviu os gritos de socorro de uma mulher que era agredida na rua e foi morto a tiros em frente ao próprio bar, no bairro Cidade Nova. A esposa da vítima denuncia que o atirador forjou a cena do crime e plantou drogas para incriminar o marido
Reprodução
O comerciante William Crame, de 38 anos, foi executado a tiros, na madrugada desta quinta-feira (16), no bairro Cidade Nova, zona norte de Manaus, após tentar intervir em uma briga de casal em frente ao bar que administrava há menos de dois meses, no Conjunto João Paulo.
O principal suspeito do crime é um policial militar, que, segundo relatos de testemunhas, agredia a própria esposa na via pública quando foi abordado por William. O comerciante ouviu os gritos de socorro da mulher e decidiu se aproximar para tentar apaziguar o conflito.
“Meu marido não gostava de briga, ele foi tentar apaziguar. Foi quando o homem reagiu dizendo que iria testar o revólver e começou a atirar”, relatou Bruna, esposa da vítima.
Execução fria e tentativa de forjar a cena
Segundo o depoimento da viúva à imprensa, após a abordagem de William, o suspeito teria respondido com agressividade: “Que foi? Tu sabe que eu sou o tranca-rua, tu vai mexer com a autoridade?”. Em seguida, sacou a arma e disparou várias vezes contra o comerciante. William foi atingido por pelo menos cinco tiros.
A violência do ataque chocou os moradores. Um amigo da vítima, que estava no local, também foi baleado de raspão. O policial ainda teria perseguido William para dentro do bar para continuar os disparos.
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A família denuncia que, após a execução, o suspeito tentou forjar a cena do crime para incriminar a vítima. Segundo Bruna, o policial teria entrado no bar com uma bolsa contendo drogas e um simulacro de arma de fogo para plantar provas e alegar que William era um assaltante. O suspeito também removeu o chip da câmera de segurança do estabelecimento, mas a família afirma que as imagens foram salvas no celular da vítima e mostram toda a dinâmica do crime.
Intimidação e medo da impunidade
A esposa de William, que ainda vestia a blusa manchada com o sangue do marido, aguardava na porta da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) não apenas para liberar o corpo, mas para pedir justiça.
“Meu marido era um pai de família, era trabalhador, não mexia com ninguém. Onde vocês forem, vão falar bem dele. Eu só quero justiça, gente, só isso”, desabafou.
A viúva denunciou ainda que, enquanto aguardava na delegacia, recebeu a informação de que viaturas da Polícia Militar estavam estacionadas em frente à casa de sua avó, sob a justificativa de uma suposta denúncia de “motos roubadas” – o que ela interpreta como um ato de intimidação.
“Eu só quero que ele vá preso, e deixe a minha vida em paz, que não venha querer me coagir, me amedrontar. Agora eu vou ter que me mudar da minha casa com medo”, afirmou.
William Crame deixa esposa e duas filhas. Além do bar, ele também trabalhava como motorista de aplicativo para complementar a renda da família. O caso será investigado pela Polícia Civil, que busca confirmar a identidade do atirador e esclarecer todas as circunstâncias do crime.


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