O primeiro-ministro do Nepal, KP Sharma Oli, renunciou ao cargo nesta terça-feira (9) após uma onda de protestos liderados por jovens que resultou em pelo menos 19 mortos e centenas de feridos em confrontos com as forças de segurança. Os manifestantes, em sua maioria da Geração Z (13 a 28 anos), protestavam contra a corrupção generalizada, a proibição de redes sociais e a falta de oportunidades econômicas no país.
Em carta divulgada por assessores, Oli citou a “situação extraordinária” no país como motivo da renúncia. Ele é o último líder de uma sucessão de mais de 12 governos desde 2008, quando o Nepal aboliu a monarquia após 239 anos.
Cronologia da crise:
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4 de setembro: Governo bloqueia Facebook, Instagram, WhatsApp, YouTube e X
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8 de setembro: Protestos tornam-se violentos em Katmandu; polícia usa munição real e gás lacrimogêneo
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9 de setembro: Aeroporto internacional é fechado devido aos distúrbios
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Contexto: Desemprego juvenil de 20,8% e economia dependente de remessas externas (33,1% do PIB)
A repressão policial foi condenada internacionalmente. O escritório de direitos humanos da ONU expressou “choque” com as mortes, e a Anistia Internacional classificou o uso de força letal como “violação grave do direito internacional”.
Movimento “Nepo Kids”
A revolta ganhou força com um movimento viral contra os “Nepo Kids” – filhos de políticos que exibem estilos de vida luxuosos em contraste com a população comum. Esse simbolismo aprofundou o sentimento de injustiça entre jovens nepaleses.
Renúncias em cadeia
Antes de Oli, já haviam renunciado o Ministro do Interior, Ramesh Lekhak, e os Ministros da Agricultura, Água e Saúde.
O governo suspendeu a proibição das redes sociais, mas a medida não conteve a revolta popular. O Nepal vive seus piores distúrbios em décadas, com queima de viaturas policiais, postos de guarda e mobiliário público.
O futuro político do país, encravado no Himalaia e com 30 milhões de habitantes, permanece incerto, com pressão popular por reformas estruturais e combate à corrupção endêmica.
Veja vídeo dos protestos:
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