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Trump dorme em anúncio de redução de vacinas enquanto secretário tem piripaque
Em cena surreal no Salão Oval, Robert Kennedy Jr. apresentou a medida com voz trêmula e papéis nas mãos, enquanto Trump parecia lutar contra o sono. Ordem reduz de 17 para 11 as vacinas recomendadas para crianças e é criticada por especialistas
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta segunda-feira (10) uma ordem executiva que reduz de 17 para 11 o número de vacinas recomendadas universalmente para crianças no país. A cerimônia no Salão Oval, no entanto, foi marcada por uma cena no mínimo bizarra: enquanto o secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., apresentava a medida com a voz trêmula e os papéis tremendo nas mãos, Trump parecia lutar contra o sono, chegando a dormir sentado na cadeira presidencial.
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Pela nova orientação, vacinas contra Covid-19, gripe, rotavírus, hepatites A e B, meningite bacteriana e vírus sincicial respiratório (RSV) deixam de integrar o grupo de recomendações universais. Essas imunizações passam a ser indicadas apenas para grupos de alto risco ou por “decisão clínica compartilhada” entre médico e família. Permaneceriam recomendadas universalmente as vacinas contra sarampo, caxumba, rubéola, difteria, tétano, coqueluche, poliomielite, Hib, doença pneumocócica, HPV e catapora.
A ordem também determina o fim da vacina combinada tríplice viral (MMR) — que protege contra sarampo, caxumba e rubéola — e recomenda que as três doses sejam aplicadas separadamente. Para justificar a mudança, Trump afirmou que “em muitos casos, estamos exigindo 72 picadas para nossas lindas, saudáveis, adoráveis, delicadas criancinhas” e que “grandes quantidades, como tonéis, de vacina estão atualmente sendo bombeadas para o corpo de seu filho”. Kennedy Jr. foi além e citou uma “chance de 5% de risco” na versão combinada, sem apresentar qualquer estudo, instituição ou fonte que embasasse o número.
As declarações ecoam o discurso antivacina que os dois defendem há anos, incluindo a alegação, repetidamente desmentida pela ciência, de ligação entre vacinas e autismo.
Surto de sarampo nos EUA
A controvérsia ocorre em meio a um forte aumento dos casos de sarampo no país. Dados divulgados em julho apontavam 1.952 casos da doença em 2026, principalmente entre crianças e adolescentes não vacinados. Especialistas temem que a nova orientação agrave ainda mais o cenário.
Reações
A decisão gerou reação imediata de especialistas e até mesmo de republicanos. O senador Bill Cassidy, médico e presidente do Comitê de Saúde do Senado, afirmou que “os pais deveriam ouvir o pediatra de seus filhos sobre vacinas, em vez de ouvir uma ordem executiva imprecisa”.
A Academia Americana de Pediatria classificou a medida como “perigosa” e afirmou que ela “semeará confusão entre os pais e atrasará a vacinação”. A entidade estima que substituir a vacina combinada por três doses separadas levaria cerca de uma década para ser implementado.
Diversos grupos médicos, incluindo a Sociedade de Doenças Infecciosas da América, afirmaram que a medida exporá mais crianças a doenças evitáveis e à morte.
Limites legais
Especialistas questionam se a ordem conseguirá produzir as alterações pretendidas. As recomendações de vacinação normalmente passam pelo comitê consultivo do CDC, e as exigências para matrícula em escolas são definidas principalmente pelos estados. A ordem, no entanto, instrui o Departamento de Justiça a processar estados cujas leis de isenção vacinal conflitem com a nova diretriz.
A cena no Salão Oval — com o secretário de Saúde tremendo e o presidente cochilando — pode ter sido a imagem mais comentada do dia, mas a decisão em si promete render muito mais discussão nos próximos meses.


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