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Pré-candidato à Presidência da Colômbia morre dois meses após sofrer atentado em comício
O atentado também carrega um peso político e simbólico que coloca sob pressão o atual presidente, Gustavo Petro, o primeiro político de esquerda a governar os colombianos
Reprodução/X/Miguel Uribe
O senador da Colômbia Miguel Uribe Turbay, 39, morreu após ter sido vítima de um atentado em um comício, em Bogotá, no dia 7 de junho. A morte foi confirmada nesta segunda-feira, 11, por sua mulher em publicação nas redes sociais.
Pré-candidato à Presidência no pleito do próximo ano, o político de direita foi baleado e estava internado em estado grave em um hospital após passar por cirurgias na cabeça e na perna. Desde então, seu estado de saúde oscilou, com uma piora no quadro nos últimos dias.
No dia 11, os médicos chegaram a detectar sinais de melhora, mas, dias depois, o político teve de ser submetido a um procedimento de emergência devido a uma “hemorragia intracerebral aguda”. Nesse sábado, 9, ele havia voltado ao estado grave devido a uma nova hemorragia no sistema nervoso central, segundo a Fundação Santa Fé de Bogotá, onde estava internado.
A morte de Uribe trouxe à tona um fantasma antigo da Colômbia: os violentos assassinatos de políticos e presidenciáveis que levaram pânico à população do país nas décadas de 1980 e 1990.
O senador era, inclusive, filho da jornalista Diana Turbay, que foi mantida refém por um grupo ligado ao cartel de Medellín e morta na tentativa de resgate, em 1991 —a história é relatada no livro “Notícia de um Sequestro”, de Gabriel García Márquez. Uribe era neto do ex-presidente Julio César Turbay Ayala, que governou a Colômbia de 1978 a 1982, e fazia parte do Centro Democrático, sigla liderada pelo influente ex-presidente Álvaro Uribe (2002-2010) —apesar do mesmo sobrenome, eles não eram parentes.
O atentado também carrega um peso político e simbólico que coloca sob pressão o atual presidente, Gustavo Petro, o primeiro político de esquerda a governar os colombianos. Uribe era membro do Centro Democrático, o principal partido de direita do país, e crítico ferrenho de Petro. Opositores acusam o líder esquerdista de radicalizar o país.
Uribe entrou para a política em 2012, ao ser eleito vereador com o apoio de líderes liberais. Sua passagem pela Câmara coincidiu com o mandato de Petro à frente de Bogotá, e ele se posicionou como um dos principais críticos do então prefeito, questionando a implementação de um programa de coleta de lixo e a política social do município.
Dois dias antes do ataque, os dois bateram boca pelas redes sociais, com o presidente questionando suas críticas. “O neto de um ex-presidente que ordenou a tortura de 10 mil colombianos falando de ruptura institucional?“, escreveu o chefe do Executivo. O senador rebateu que Petro “empunhou armas e participou de um grupo criminoso”, ao se referir à guerrilha M19.
Uribe não aparecia, até o momento, como um dos favoritos na corrida presidencial. Era visto, no entanto, como uma oposição ascendente. A um ano do pleito, a Colômbia vive uma crescente polarização. O governo de Petro passou por sucessivas crises e perdas políticas, fazendo com que ele adotasse um tom mais agressivo contra seus adversários.
A derrota mais recente foi o veto do Senado a uma consulta popular para a realização de uma reforma trabalhista, uma de suas principais bandeiras de campanha. O presidente reagiu falando em fraude e convocando protestos pelo país.
O primeiro pronunciamento de Petro após o atentado gerou controvérsia e foi criticado pela oposição —na noite do próprio sábado, ele fez uma postagem em que nem mencionava o nome de Uribe, referindo-se a ele como “o filho de uma mulher árabe”, em alusão à sua mãe.
“Ah, a Colômbia e sua eterna violência. Eles querem matar o filho de uma mulher árabe em Bogotá, que já havia sido assassinada, e não se deve matar no coração do mundo. Eles matam o filho e a mãe“, escreveu o presidente.
O ex-presidente Andrés Pastrana (1998 a 2002) acusou Petro de “semear o ódio” e “incitar a violência” contra a oposição.
O discurso foi reproduzido pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, que condenou “nos termos mais veementes” o ataque e o atribuiu à “retórica violenta da esquerda“.
*Com informações da Folhapress


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