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Morte de ‘El Mencho’ provoca onda de violência no México e paralisa ao menos 10 estados

Reação do narcotráfico incluiu bloqueios, incêndios de veículos e cancelamento de voos em destinos turísticos.

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(Reprodução)

A morte de Nemesio Oseguera Cervantes, o “El Mencho”, fundador e líder do Cártel Jalisco Nueva Generación (CJNG) , desencadeou uma onda de violência em diversas regiões do México neste domingo (22). Considerado um dos criminosos mais procurados do mundo, El Mencho morreu durante uma operação do Exército mexicano na serra de Jalisco.

O impacto foi imediato e de proporções nacionais. Ao menos dez estados suspenderam as aulas presenciais nesta segunda-feira (23), governos locais convocaram reuniões emergenciais de segurança e autoridades dos Estados Unidos e da Europa emitiram alertas a seus cidadãos.

Narcobloqueios e caos

A resposta do crime organizado seguiu um padrão já conhecido no país. Nas primeiras horas após a confirmação da morte, surgiram bloqueios em rodovias e incêndios de veículos, tática conhecida como “narcobloqueio” , utilizada para dificultar a ação das forças de segurança.

Colunas de fumaça foram vistas em Puerto Vallarta, destino turístico internacional no litoral de Jalisco, enquanto o aeroporto de Guadalajara passou a operar sob forte esquema de segurança.

Segundo a Secretaria de Segurança mexicana, foram registrados cerca de 250 bloqueios em 20 estados, incluindo Sinaloa, Colima, Nayarit, Guanajuato, Zacatecas, Hidalgo, Querétaro, Michoacán, Estado do México, Tamaulipas, Veracruz, Puebla, Chiapas e Tabasco. Até a noite de domingo, 23 pontos permaneciam ativos.

Turismo afetado e voos cancelados

Em Puerto Vallarta, turistas estrangeiros optaram por adiar voos de retorno diante da impossibilidade de chegar aos aeroportos, já que serviços de táxi e transporte por aplicativo foram suspensos. Companhias aéreas cancelaram voos com destino a Jalisco, Colima e Nayarit.

O governador de Jalisco, Pablo Lemus, decretou “alerta vermelho” e recomendou que a população permanecesse em casa até que a situação fosse controlada. Eventos públicos foram cancelados, o transporte coletivo suspenso e campanhas de vacinação interrompidas. Ao menos 20 agências bancárias foram incendiadas, segundo autoridades estaduais.

Alertas internacionais

O governo dos Estados Unidos, sob a presidência de Donald Trump, emitiu um alerta para que cidadãos americanos buscassem abrigo caso estivessem em cidades como Puerto Vallarta, Guadalajara e Chapala (Jalisco); Tijuana, Tecate e Ensenada (Baixa Califórnia); e Cancún, Cozumel, Playa del Carmen e Tulum (Quintana Roo), além de áreas de Guanajuato, Guerrero, Michoacán, Oaxaca, Nuevo León e Tamaulipas.

O subsecretário de Estado Christopher Landau afirmou, em redes sociais, que a reação violenta do crime não surpreendia, mas pediu calma. França, Alemanha, Espanha, Rússia, Índia, Ucrânia, Países Baixos e Argentina também recomendaram cautela a seus cidadãos no México.

Reação do governo

A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, afirmou que há “coordenação absoluta” entre o governo federal e os estados e declarou que, na maior parte do território, as atividades transcorrem com normalidade.

Segundo autoridades mexicanas e americanas, os Estados Unidos forneceram “informações complementares” que contribuíram para a operação que resultou na morte do traficante. A cooperação bilateral foi celebrada por integrantes do governo americano.

O CJNG e seu alcance

Fundado em 2010, o CJNG expandiu-se rapidamente e hoje mantém presença em todos os 32 estados mexicanos, segundo fontes da área de segurança. A organização disputa territórios estratégicos, como Guanajuato, onde enfrenta o Cártel Santa Rosa de Lima, e Chiapas, palco de confrontos com dissidências do Cártel de Sinaloa.

A agência antidrogas americana DEA sustenta que o cartel opera em pelo menos 40 países, com milhares de integrantes e facilitadores. Em setembro passado, forças de segurança dos EUA prenderam 670 suspeitos ligados ao cartel em quatro dias de operações coordenadas. A DEA chegou a oferecer recompensa de US$ 15 milhões por informações que levassem à captura de Oseguera.

*Com informações de Veja