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Manaus

Manaus volta a ficar coberta por fumaça nesta quarta-feira (9) e qualidade do ar fica comprometida

A fumaça tem origem em queimadas no sul do Amazonas, Rondônia e Mato Grosso, impulsionadas por mudanças temporárias na direção dos ventos

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Canal92am

Manaus amanheceu encoberta por uma densa camada de fumaça nesta quarta-feira (9). Moradores de diferentes bairros relataram o forte cheiro de queimado e a presença de fuligem no ar, que se manteve visível mesmo com o sol mais forte ao longo do dia.

Dados do Selva

De acordo com o monitoramento do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), os bairros de Flores, Alvorada e Adrianópolis registraram níveis de qualidade do ar classificados como “ruim” na manhã desta quarta-feira. Já em Ponta Negra, Tarumã e Cidade de Deus, o ar foi classificado como “péssimo”, o que representa um grave risco à saúde da população.

Os índices de material particulado fino (MP 2.5), o poluente mais prejudicial à saúde, atingiram picos de 179 µg/m³ em algumas estações, superando em 14 vezes o valor máximo recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que é de 15 µg/m³. Em junho, quando a cidade já enfrentava problemas com a fumaça, a média chegou a 27,4 µg/m³; em julho, subiu para 26 µg/m³; e em agosto, saltou para 42,3 µg/m³. As medições de setembro ainda não foram consolidadas, mas já indicam uma piora significativa.

Causas do fenômeno

O fenômeno tem sido agravado por dois fatores principais: os focos de incêndio na região metropolitana e a fumaça proveniente de queimadas na Bolívia, que tem chegado ao estado trazida pelos ventos.

O incêndio no lixão de Manacapuru, que começou no último sábado (6), segue ativo e já se espalhou por uma área de cerca de um quilômetro, destruindo uma plantação de bananas. A queima de lixo a céu aberto libera gases tóxicos e poluentes, além de facilitar a propagação de incêndios em períodos de estiagem. Uma equipe do Corpo de Bombeiros está no local para conter o fogo.

Outro foco preocupante está no Ramal da Família, no km 17 da Estrada de Novo Airão, onde o incêndio completou três dias nesta terça-feira (8), com as chamas ainda ativas em trechos de mata.

Impacto na saúde e recomendações

Diante da situação, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) orienta a população a evitar atividades ao ar livre, especialmente em áreas com grande concentração de fumaça, e buscar atendimento médico em caso de sintomas respiratórios.

A Defesa Civil do Amazonas e o Corpo de Bombeiros seguem monitorando a situação e atuando no combate aos focos de incêndio na região. A previsão é de que a fumaça persista enquanto as condições climáticas e os focos de queimada não forem controlados.

Histórico de queimadas

O Amazonas ocupa a 4ª posição entre os estados com maior número de focos de incêndio no Brasil, de acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A fumaça que cobre várias cidades do país, incluindo Manaus, é de origem boliviana, levada por correntes de ar para o Acre, Rondônia, Amazonas e Mato Grosso, segundo o Inpe. O fenômeno é comum durante a estação seca na Amazônia e tem se intensificado devido à alta temperatura e à baixa umidade do ar.