Manaus
Caso Benício: médica vendia maquiagem enquanto criança morria na UTI, revela relatório da polícia
Delegado aponta dolo eventual e diz que conduta configura homicídio qualificado doloso.
Divulgação
No mesmo dia em que se completaram três meses da morte do menino Benício Xavier, de 6 anos, o inquérito da Polícia Civil do Amazonas ganhou um capítulo determinante. O relatório de extração de dados do celular da médica Juliana Brasil revelou que, em meio ao atendimento de emergência do paciente, ela dividia sua atenção entre pedidos de orientação técnica e a venda de produtos de beleza.
A cronologia do atendimento
De acordo com o relatório da 24ª Delegacia Integrada de Polícia (DIP), a conduta da médica foi registrada minuto a minuto:
-
14h37 – Juliana Brasil é chamada para iniciar o atendimento de Benício.
-
14h44 – A médica envia mensagem a um colega admitindo que errou a prescrição de um medicamento.
-
15h13 a 15h38 – Juliana busca orientações técnicas com outros dois médicos sobre como proceder com o quadro da criança.
-
15h46 – Interrupção comercial. No ápice da crise do paciente, Juliana responde mensagens sobre venda de maquiagem, envia sua chave PIX e combina a entrega de produtos.
-
15h47 – Retoma o contato com a equipe médica para receber instruções de socorro.
-
16h15 – É solicitada a transferência definitiva de Benício para a UTI.
“Dolo eventual”
Segundo o delegado Marcelo Martins, responsável pelo caso, a conduta da médica extrapola a negligência e entra na esfera do dolo eventual – quando o agente assume o risco de produzir o resultado.
“O fato de a médica estar vendendo produtos de beleza enquanto a vítima estava em estado crítico, entre a vida e a morte, denota indiferença com a vida. Isso configura o chamado dolo eventual, caracterizando homicídio qualificado doloso”, afirmou.
Mensagens extraídas
As conversas extraídas mostram que Juliana utilizou o celular para consultar colegas sobre dosagens e procedimentos, mas também para tratar de assuntos comerciais. Em um trecho, a médica negociava com uma amiga identificada como “Débora Amanda – Beauty” :
“Sim, era 230, deixei 190 pra você”, escreveu a médica, referindo-se ao valor de um produto de maquiagem.

Reprodução/Rede Amazônica

Reprodução/Rede Amazônica
O erro que matou
A investigação aponta que a tragédia foi desencadeada por um erro gravíssimo de medicação. Benício Xavier deu entrada na unidade de saúde com um quadro que exigia cuidados, mas sua condição deteriorou rapidamente após receber uma overdose de adrenalina.
Ele morreu em 23 de novembro de 2025, após receber adrenalina na veia durante atendimento hospitalar. A médica Juliana Brasil e a técnica de enfermagem Raíza Bentes seguem sob investigação em liberdade.
Próximos passos
O inquérito é conduzido pela Polícia Civil do Amazonas e acompanhado pelo Ministério Público do Amazonas (MPAM). A investigação aguarda a conclusão de laudos periciais para ser finalizada.


Faça um comentário