Amazonas
Pai denuncia negligência e conduta de médica após morte de filha de 1 ano e 11 meses no Hospital da Criança em Manaus
Ágatha Luna deu entrada no SPA Joventina Dias com febre e foi transferida para o Hospital da Criança Zona Oeste, onde sofreu parada cardíaca; pai relata falta de informações sobre procedimentos e diz ter sido ameaçado por médica
Arte: Canal92am
A família da pequena Ágatha Luna Rodrigues do Nascimento vive um misto de dor e indignação desde o último sábado (5), quando a criança de 1 ano e 11 meses morreu após ser atendida no SPA Joventina Dias e no Hospital e Pronto-Socorro da Criança Zona Oeste, em Manaus. Os pais questionam a condução do atendimento e cobram explicações sobre os procedimentos realizados antes da parada cardiorrespiratória que levou a menina a óbito.
De acordo com o pai, Jonatan Eduardo, Ágatha começou a apresentar febre, mas continuava se alimentando e brincando normalmente. Como o sintoma persistiu, os pais decidiram levá-la ao SPA Joventina Dias. A criança foi examinada, recebeu medicamentos e foi liberada. No dia seguinte, porém, os sintomas voltaram. A menina passou a apontar para a barriga, demonstrando dor, e tinha vontade de vomitar.
A família retornou à unidade de saúde. Segundo Jonatan, Ágatha recebeu novos medicamentos e apresentou melhora inicial, mas o quadro se agravou. Durante um dos atendimentos, os profissionais teriam informado que o SPA não contava com pediatras com experiência suficiente para tratar a criança.
“Eles falaram que não tinham um profissional adequado para atender ela porque a grande parte dos profissionais não tinha experiência com criança, nem pediatria. Então, pegaram, deram soro para ela e colocaram umas medicações nela e falaram: ‘Ela vai para o pronto-socorro da criança, porque ela vai ficar em observação para poder saber o que ela tem’”, relatou o pai.
No Hospital da Criança Zona Oeste, a menina recebeu atendimento e foi intubada. Segundo Jonatan, antes dos procedimentos, a criança ainda reagia e interagia com a mãe. A família, no entanto, afirma que não recebeu informações detalhadas sobre um diagnóstico definido ou sobre todos os medicamentos administrados.
Pouco depois, conforme o pai, a criança sofreu uma parada cardiorrespiratória. Jonatan relata que entrou na área de atendimento e encontrou a equipe realizando massagem cardíaca na menina.
“Não deu cinco minutos, eu falei: ‘Amor, vou lá dentro, vou olhar a nenê de novo’. Quando entrei, ele já estava fazendo uma massagem cardíaca nela, logo depois de ter aplicado essa injeção. Ela estava toda agoniada. Aí pegaram e me tiraram de lá de dentro”, afirmou.
Discussão com médica e ameaças
Após a morte da filha, os familiares questionaram uma médica sobre os medicamentos utilizados e a condução do atendimento. Segundo Jonatan, a profissional teria dito que não tinha obrigação de prestar esclarecimentos à família e que a responsabilidade pelo atendimento era dela. Ainda conforme o relato, a discussão se intensificou e a médica teria pedido que os familiares deixassem o local, além de fazer ameaças.
“Ela ameaçou eu, a minha mulher, a mamãe e quem estava lá. Ela estava expulsando todo mundo. Nós fomos questionar, e ela pegou e falou: ‘Eu não tenho obrigação de dar resposta para vocês. A profissional aqui sou eu’”, afirmou o pai.
O que diz a SES-AM
Em nota, o secretário de Estado de Saúde do Amazonas, Luis Alberto Saraiva, lamentou a morte da criança e manifestou solidariedade aos familiares. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM), Ágatha chegou à unidade em estado grave, com sinais de dificuldade para respirar e choque. As equipes teriam iniciado imediatamente os procedimentos necessários na tentativa de reverter o quadro, que evoluiu para uma infecção generalizada e parada cardiorrespiratória.
A SES-AM informou que o caso está sendo investigado pelas instâncias competentes e que está prestando apoio aos familiares. “Reafirmamos nosso compromisso com a verdade, a transparência e, acima de tudo, com o respeito à família e à memória da criança”, afirmou Luiz Alberto Saraiva na nota.
O caso segue em apuração.



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