Amazonas
“As Forças Armadas agora entram pra valer no combate aos focos de incêndio”, diz Eduardo Braga em Manaus
Ao lado do prefeito Renato Junior, senador anuncia que frota federal sobe de 11 para 16 aeronaves, com segundo KC-390 e 70 caixas d’água de mil litros; apesar da chuva deste domingo (18), Manaus ainda registra ar “muito ruim”, e base da Força Nacional do SUS será instalada na terça-feira (20)
Reprodução
O senador Eduardo Braga (MDB-AM) afirmou neste domingo (18), em vídeo ao lado do prefeito de Manaus, Renato Junior (Avante), que as Forças Armadas passam a atuar diretamente no combate aos incêndios que atingem o Amazonas. A declaração foi feita após reunião no aeroporto Ponta Pelada com os ministros enviados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“As Forças Armadas agora entram pra valer no combate aos focos de incêndio”, disse Braga. Segundo o senador, novos equipamentos chegaram e a frota federal no estado sobe de 11 para 16 aeronaves, incluindo um segundo KC-390, com capacidade para lançar até 19 mil litros de água por operação. O reforço inclui ainda 70 caixas d’água de mil litros cada, que são lançadas do ar e se abrem durante a queda.
Braga relatou que a articulação com o governo federal começou ainda no sábado (17), com conversas com o presidente Lula e com os ministros Emília Belchior e José Múcio. “Novos equipamentos chegaram, ampliamos o número de aeronaves, o efetivo está sendo aumentado e os recursos estão sendo disponibilizados”, afirmou. Ele também destacou que parte das aeronaves vai sobrevoar “sobre instrumentos”, ou seja, mesmo com fumaça, para lançar água sobre os focos.
O senador reforçou que a capital não é a origem do fogo. “Manaus é vítima, nós não fazemos foco de incêndio na cidade de Manaus, mas Manaus está sendo vítima desse fumaceiro que tem prejudicado as escolas, a juventude, as crianças, as gestantes, os idosos”, declarou. Braga elogiou a rede municipal de saúde e citou o aumento de 18% na demanda por atendimentos de problemas respiratórios nas UBSs.
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Já o prefeito Renato Junior agradeceu a articulação do senador junto ao governo federal e o envio dos ministros a Manaus. Ele defendeu que o momento é de união entre os entes federativos, sem politização da crise. “A gente não pode politizar a fumaça. O que nós estamos vivendo é um drama nunca visto, é a primeira vez que nós estamos vivendo algo desta magnitude”, afirmou.
Renato Junior disse que a reunião desta manhã tratou da ampliação da operação aérea. “O governo federal tinha seis aeronaves e agora terão 16. Parte dessas aeronaves vão sobrevoar sobre instrumentos, mesmo no momento de fumaça, e estarão apagando os incêndios, que é isso que a população quer”, declarou. Para o prefeito, é preciso “unir as forças” do governo federal, estadual e municipal. “Não é hora de achar culpados, é hora de agir e apagar os incêndios que não são em Manaus, que são nos interiores e em outros estados.”
O prefeito também informou que 27 pessoas técnicas chegaram em uma aeronave para reforçar o atendimento à população. “Essa é a importância de nós termos um senador que possa buscar alternativas no governo federal para que, no momento de sofrimento, a gente seja ouvido”, disse Renato Junior. Braga finalizou: “Estamos juntos, vamos enfrentar o desafio mais uma vez.”
Chuva chega, mas alívio é parcial
A fumaça que sufocava Manaus desde a semana passada deu uma trégua parcial neste domingo (18) com a chegada de chuva intensa à capital. A precipitação, porém, veio acompanhada de forte cheiro de fumaça queimada, resultado da interação da água com a fuligem acumulada na atmosfera.
Apesar da chuva, a qualidade do ar seguiu classificada como “muito ruim”. Por volta das 7h, o índice da IQAir registrava 211 pontos, com concentração de partículas finas (PM2,5) de 135 µg/m³ — ainda muito acima do limite recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). No sábado (17), Manaus havia atingido 657 pontos às 8h40, nível classificado como “perigoso” , e chegou a ocupar o topo do ranking global de pior qualidade do ar.
A chuva também trouxe alerta para alagamentos e enxurradas, emitido pela Defesa Civil. O volume previsto para Manaus era de 33,5 mm.
Focos de incêndio e investigação
O número de focos de calor no Amazonas saltou de 226 para 705 entre sexta-feira (16) e sábado (17), mais que triplicando em apenas 24 horas, segundo a Defesa Civil de Manaus. Nos primeiros 17 dias de outubro, o estado registrou 1.892 focos de incêndio, segundo o Painel do Fogo do Censipam.
O superintendente do Ibama no Amazonas, Joel Araújo, confirmou que há uma investigação em curso sobre possível motivação política em parte das queimadas. Segundo dados do Inpe, os focos de calor em outubro de 2026 aumentaram 416,9% entre os dias 4 e 16, passando de 354 para 1.830 registros. O pico foi em 10 de outubro, com 494 ocorrências em um único dia. Além do Ibama, participam das investigações a Polícia Federal, a Polícia Civil e o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam).
Força Nacional do SUS e reforço federal
Além do reforço no combate ao fogo, uma base descentralizada da Força Nacional do SUS será instalada em Manaus na terça-feira (20). A unidade será a quarta base descentralizada aberta neste ano, como parte do planejamento federal de preparação e resposta aos possíveis impactos do El Niño 2026/2027.
O governo federal também empenhou cerca de R$ 14 milhões para ações emergenciais, incluindo assistência humanitária, equipamentos de proteção e contratação de duas aeronaves. Desde o início das operações de apoio federal, em 9 de outubro, já foram lançados cerca de 600 mil litros de água, em 260 horas de voo. O Ibama contabiliza 317 incêndios extintos desde o início da temporada.
A comitiva que esteve em Manaus neste domingo foi formada pelos ministros Waldez Góes (Desenvolvimento Regional), João Paulo Capobianco (Meio Ambiente), José Múcio (Defesa) e Wellington Silva (Justiça e Segurança Pública). Eles participaram de reunião no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) com o governador Roberto Cidade (União Brasil) e anunciaram novas medidas ao início da tarde.
Impactos na saúde
A exposição à fumaça pode causar irritação nos olhos, nariz e garganta, tosse, falta de ar e agravamento de doenças respiratórias e cardiovasculares. Crianças, idosos, gestantes e pessoas com comorbidades são os grupos mais vulneráveis. “Este é provavelmente o pior dia do ano, em termos de fumaça tóxica. Quem puder fique em casa, com portas e janelas fechadas, especialmente crianças, idosos, gestantes e pessoas com comorbidades respiratórias e cardiovasculares”, alertou o epidemiologista da Fiocruz, Jesem Orellana.
A Prefeitura de Manaus orienta a população a beber bastante água, manter portas e janelas fechadas, umidificar os ambientes e usar máscara ao sair de casa. Casos de queimadas podem ser denunciados pelo telefone 153 ou pelo site slim.manaus.am.gov.br. Emergências podem ser acionadas pela Defesa Civil (199) ou pelo Corpo de Bombeiros (193).


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