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Política

Último domingo antes do 2º turno: Flávio leva “Bloco do 22” à Paulista, enquanto Lula aposta nas redes e lembra vítimas da Covid-19

O confronto da noite deste domingo, promovido pela Band em parceria com o Estadão, é o primeiro entre os dois candidatos nesta eleição e ocorre a uma semana do segundo turno.

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Arte: Canal92am

O último domingo de campanha antes do segundo turno, marcado para 25 de outubro, opôs dois estilos de mobilização. Em São Paulo, o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) comandou o “Bloco do 22” na Avenida Paulista, reuniu cerca de 71,9 mil pessoas no horário de pico e reservou o tom mais duro para o debate da Band, marcado para as 20h deste domingo (18). Já o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) , que disputa a reeleição, não foi às ruas: permaneceu em Brasília, preparando-se para o confronto televisivo, enquanto sua campanha apostava nas redes sociais na lembrança das vítimas da pandemia de Covid-19.

Flávio: “Bloco do 22”, STF e promessa de confronto

O ato na Paulista foi batizado de “Bloco do 22”, em referência ao número eleitoral do PL, e teve como principal animador o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) , que puxou gritos contra o ministro do STF Alexandre de Moraes e chegou a chutar um boneco de Lula. Flávio, que discursou pouco e dançou ao som de jingles, justificou a economia de voz: “Vou poupar minha voz porque hoje eu quero vocês na televisão assistindo ao debate meu com o Lula. Onde eu vou ter a oportunidade de esfregar os crimes que ele cometeu contra a nossa nação ao vivo” , declarou.

O senador também voltou a tratar das indicações que fará ao Supremo Tribunal Federal se eleito. Segundo ele, serão escolhidas mulheres contrárias ao aborto e às drogas, mas “a favor da prosperidade do povo brasileiro”. Em falas anteriores, Flávio já havia prometido indicar cinco ministros ao STF, com o perfil de “homens e mulheres que respeitem a Constituição e não persigam opositores”.

Outro momento do discurso foi a referência ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) , que está preso. Flávio afirmou que, se eleito, será empossado com a faixa presidencial entregue pelo próprio Jair: “Vocês verão Jair Messias Bolsonaro colocar a faixa de presidente da República no filho dele” , disse. O candidato ainda ergueu uma bandeira com a frase “Fora Lula e Moraes” e repetiu o slogan “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”.

Entre os aliados presentes estavam o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) , o prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB) , e os senadores eleitos Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL) .

Lula: ruas em silêncio, redes em peso

Do lado petista, a estratégia foi diferente. Lula não compareceu a atos de rua e ficou em Brasília para se preparar para o debate. A campanha, porém, mobilizou apoiadores em capitais e concentrou sua artilharia nas redes sociais com um vídeo protagonizado por Déa Lúcia, mãe do humorista Paulo Gustavo, morto em maio de 2021, aos 42 anos, por complicações da Covid-19, antes de ser vacinado.

No depoimento, Dona Déa critica a condução da pandemia pelo governo Bolsonaro e a demora na compra de vacinas. “Essa vacina deveria ter vindo antes. Muito tempo antes. Ele dizia: ‘essa vacina tem que chegar’. E não deu tempo. E o governo ria, o nosso presidente ria, né? Isso daí eu falo com ódio. Ele ria” , afirma ela, em referência a Jair Bolsonaro. Em seguida, ataca o adversário: “Flávio é retrocesso. Se você olhar o sobrenome, me dá arrepio. Mudar para aquele passado terrível vai destruir o nosso futuro” .

Lula compartilhou o vídeo com a mensagem: “A memória de Paulo Gustavo e de tantas vítimas da Covid-19 nos convoca a escolher um futuro de respeito à vida” . A campanha avalia que Dona Déa dialoga com famílias e eleitores mais velhos por contar “uma história de verdade”. No mesmo domingo, militantes pró-Lula fizeram uma performance em Florianópolis com “mortos da Covid” se arrastando no asfalto, repetindo o tema da campanha.

O debate e o cenário da disputa

O confronto da noite deste domingo, promovido pela Band em parceria com o Estadão, é o primeiro entre os dois candidatos nesta eleição e ocorre a uma semana do segundo turno. Flávio chega embalado por pesquisas que o colocam à frente. Levantamento Datafolha divulgado em 15 de outubro aponta 51% a 49% para o senador em votos válidos. Já o PoderData/Aya mostra 53% a 47% , e o BTG/Nexus, 52% a 48% , todos favoráveis a Flávio.

A campanha petista aposta justamente na lembrança da pandemia como tema capaz de reverter a desvantagem na reta final. Resta saber se a estratégia das redes sociais e o peso do vídeo de Dona Déa se sobreporão ao tom de confronto prometido por Flávio no palco da Band.