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Política

Lula muda discurso sobre STF após primeiro turno e ataca “promiscuidade” na Suprema Corte

Presidente adota tom crítico contra o tribunal que antes defendia, defende reforma do Judiciário e propõe debate sobre critérios de escolha de ministros; fala ocorre após Flávio Bolsonaro liderar o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos

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Reprodução/X

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mudou o tom em relação ao Supremo Tribunal Federal (STF) após o resultado do primeiro turno das eleições de 2026. Em pronunciamento a aliados na noite desta segunda-feira (5), o petista, que durante a campanha adotou uma postura de defesa da Corte e de seus ministros, passou a criticá-la abertamente e a defender uma reforma no Judiciário.

“Estamos carregando nas costas uma coisa muito grave, que é a promiscuidade que ficou estabelecida na Suprema Corte brasileira”, declarou Lula durante reunião no Hotel San Marco, em Brasília, para alinhar a estratégia do segundo turno.

A fala representa uma guinada no discurso do presidente. Durante o primeiro turno, Lula evitou confrontar diretamente o STF e chegou a receber ministros da Corte em reuniões fora da agenda para discutir a crise no Judiciário. Em setembro, o petista havia afirmado que o ministro Alexandre de Moraes ou qualquer outro magistrado deveria responder caso fosse comprovada alguma irregularidade, mas sem elevar o tom contra a instituição.

Agora, a mudança de postura ocorre um dia após Flávio Bolsonaro (PL) terminar o primeiro turno na liderança, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. A diferença de quase dois pontos percentuais e os mais de 3,3 milhões de votos a menos do que o petista obteve em 2022 acenderam o alerta na campanha.

Reforma do Judiciário e escolha de ministros

No novo discurso, Lula defendeu que a sociedade participe da definição dos critérios para a escolha de ministros do STF e levantou a possibilidade de estabelecer mandatos para os integrantes do tribunal. “Nós precisamos decidir concretamente como vamos escolher os ministros do STF. É interesse pessoal do presidente? Pressão do Congresso? Não. Nós vamos ter que discutir com a sociedade qual o critério que nós vamos ter para indicar um ministro do STF, que o presidente manda para o Senado. E se ele vai ter mandato ou não”, afirmou.

O presidente também ressaltou que “ninguém está acima da lei, nem os ministros do STF” e classificou como “muito grave” o cenário de desconfiança da sociedade em relação à Corte. “Acho que é hora de a sociedade discutir isso, porque ninguém está acima da lei. É um tema difícil, mas necessário”, disse.

A crise no STF ganhou dimensão institucional a partir das investigações sobre o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro. Mensagens e documentos da Polícia Federal passaram a mencionar ministros do Supremo, familiares e pessoas próximas a integrantes da Corte, abrindo divergências públicas entre os próprios magistrados sobre a condução das apurações.

Comparação com o discurso anterior

Antes do primeiro turno, Lula adotava uma estratégia de contenção. Em entrevista ao Flow Podcast, no dia 1º de outubro, o presidente afirmou que não esperava contrapartidas pessoais dos ministros que indica para a Corte e defendeu a autonomia do Judiciário. A mudança de tom também contrasta com a postura adotada em 16 de setembro, quando cobrou responsabilidade do presidente do STF, Edson Fachin, para impedir que os desdobramentos do caso Banco Master prejudicassem o processo eleitoral.

Nos bastidores, aliados do presidente avaliam que Lula foi associado à imagem de Alexandre de Moraes e que as denúncias de envolvimento do magistrado com Vorcaro afetaram a campanha. A tentativa agora é se desvincular do desgaste do Supremo e transformar a crítica à Corte em bandeira eleitoral.

Abstenção e estratégia para o segundo turno

Além do ataque ao STF, Lula voltou a atenção para a alta abstenção registrada no primeiro turno. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 33 milhões de eleitores deixaram de ir às urnas, o equivalente a 21,08% do eleitorado. “Será que não gostam dos candidatos?”, questionou o presidente, defendendo que a campanha precisa recuperar o interesse dos eleitores que não votaram.

Lula também criticou as propostas de corte fiscal apresentadas por Flávio Bolsonaro e afirmou que “toda vez que se fala em dureza fiscal, o que está em jogo é a política de inclusão social”. Na área da segurança pública, tema em que o adversário ganhou destaque durante a campanha, o presidente defendeu a aprovação da PEC da Segurança Pública e sugeriu uma mudança de tom nos discursos sobre o tema.

O segundo turno está marcado para 25 de outubro. A campanha de Lula pretende intensificar a presença nas ruas e mobilizar governadores aliados para reverter a desvantagem numérica do primeiro turno.