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Lula promete canetas emagrecedoras gratuitas no SUS e gera debate sobre impacto fiscal

Medicamento seria destinado a pacientes com obesidade grave, mas incorporação depende de protocolo clínico e enfrenta resistência pelo custo estimado em R$ 8 bilhões anuais

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Canal92am

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prometeu, nesta quinta-feira (17), a distribuição gratuita de canetas emagrecedoras pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O anúncio foi feito durante visita ao complexo industrial da Eurofarma, em Montes Claros, no norte de Minas Gerais, e ocorre a menos de 20 dias do primeiro turno das eleições.

“Essa canetinha vai ser utilizada para cuidar de graça das pessoas que tenham obesidade. Quando um médico detectar que um homem ou uma mulher tem problema de se curar”, declarou o presidente, que estava acompanhado do ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Lula, no entanto, não informou quando a medida passaria a valer nem se a incorporação ocorreria em um eventual quarto mandato. Durante o discurso, o presidente também criticou o que classificou como possível uso eleitoral do medicamento.

“Daqui a pouco vai ter deputado jogando caneta para o povo. É uma irresponsabilidade, a pessoa tem que saber se vai fazer bem para a saúde”, afirmou.

Estudo Real-Bari e protocolo clínico

Segundo o ministro Alexandre Padilha, a iniciativa faz parte de um estudo sobre o uso de análogos de GLP-1 em pacientes do SUS. O projeto, denominado Real-Bari, é conduzido pelo Ministério da Saúde em parceria com o Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre, e acompanha 250 pacientes com obesidade grave ou associada a outras morbidades.

O protocolo de pesquisa foi elaborado para avaliar a efetividade, segurança e impacto assistencial da semaglutida 2,4 mg semanal em pacientes elegíveis ou em fila para cirurgia bariátrica no SUS. O estudo terá seguimento de 24 meses e buscará medir não apenas a perda de peso, mas também efeitos sobre qualidade de vida, parâmetros cardiometabólicos e custos assistenciais.

“Estamos avaliando pessoas que estavam na fila de cirurgia bariátrica para saber se o uso dessa medicação consegue controlar a obesidade sem a necessidade de cirurgia”, explicou Padilha, que negou que o medicamento será incorporado como um “milagre estético”.

Queda da patente e produção nacional

A incorporação da semaglutida ao SUS tornou-se viável após a expiração da patente do princípio ativo no Brasil, em março de 2026, o que abriu caminho para a produção de genéricos e similares por laboratórios nacionais.

Segundo Padilha, o Ministério da Saúde e a Anvisa convocaram empresas para avaliar a capacidade de produção nacional do medicamento. “Tivemos uma resposta muito boa. Já temos 14 produtos registrados“, afirmou o ministro, destacando que a concorrência derrubou o preço das canetas de $ 1,7 mil para a faixa de 300 a R$ 400 nas farmácias.

Impacto fiscal e resistência

Apesar do anúncio, a incorporação da semaglutida ao SUS enfrenta resistência interna. Em 2025, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) recomendou ao Ministério da Saúde que não incorporasse a liraglutida e a semaglutida ao sistema público. O motivo apontado foi o alto custo: a oferta teria impacto estimado em R$ 8 bilhões por ano aos cofres públicos.

Um levantamento apresentado na Câmara dos Deputados indicou que o custo do medicamento poderia variar entre R$ 4,1 bilhões e  6 bilhões em cinco anos, considerando o uso contínuo por 150 mil a 400 mil pacientes elegíveis. Cada caneta aplicadora tem preço médio de R$ 1 mil.

Reações da oposição

O anúncio foi alvo de críticas de candidatos da oposição. O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) classificou a promessa como tendo “aparência de populismo” e questionou a capacidade do SUS de oferecer o medicamento.

“Estou vendo o Lula prometer canetinha de emagrecimento, aumentar o Bolsa Família. Tudo certo, mas não com essa aparência de populismo. É uma coisa que dói, a pessoa usar a máquina do governo a 17 dias da eleição”, declarou Caiado.

O candidato também ironizou a falta de insumos básicos na rede pública: “Falta até dipirona”.

O que são as canetas emagrecedoras

As canetas emagrecedoras são medicamentos injetáveis de aplicação subcutânea, originalmente desenvolvidos para tratar diabetes tipo 2. Elas ganharam popularidade pela eficácia na perda de peso. O produto atua no cérebro para inibir o apetite e o desejo por comida, além de estimular a produção de insulina e controlar a glicose no sangue.

Segundo o Ministério da Saúde, a oferta pelo SUS será feita “de forma responsável, com base em estudos e na definição de um protocolo clínico” que determinará quais pacientes terão acesso ao tratamento e como será feito o acompanhamento médico.

A reportagem procurou o Ministério da Saúde para obter detalhes sobre o cronograma de incorporação e o orçamento previsto, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição. O espaço permanece aberto para manifestações.