Política
Artigo: Roberto Cidade é piada indo ou não ao debate
Arte/Canal92am
A ausência de Roberto Cidade no primeiro debate da Band não foi um erro de agenda, nem uma estratégia de marketing. Foi a confirmação de que o governador, quando o palanque aperta, desmorona. O jornalista Anderson Silva, do Canal92am e da coluna Falando de Política (FDP), não poupou palavras e classificou Cidade como “inseguro e fraco nos debates”, justificando o real motivo de sua ausência.
A fuga do debate e o “jogo combinado”
Enquanto seus adversários Omar Aziz (PSD), David Almeida (Avante), Maria do Carmo (PL) e Isael Munduruku (Rede) debatiam temas como saúde, segurança e educação, a cadeira de Roberto Cidade permaneceu vazia. A justificativa oficial, divulgada 40 minutos antes do início do programa, foi a orientação jurídica para não participar de debates antes do início oficial da campanha, em 16 de agosto. A coordenação também acusou os adversários de articularem um “jogo combinado” para transformar o debate em um “palanque de ataques”.
Essa estratégia, no entanto, não convenceu. A mesma justificativa foi usada por Eduardo Paes no Rio de Janeiro, mas a realidade política de cada estado é diferente. No Amazonas, a ausência de Cidade é vista como uma fuga deliberada. Afinal, ele é o governador e candidato à reeleição. Se não pode defender sua gestão em um debate, quando o fará?
O fantasma do debate de 2024
Para quem acha que a ausência foi calculada, o FDP refresca a memória: em 2024, durante a campanha para a Prefeitura de Manaus, Roberto Cidade já havia demonstrado sua dificuldade em sustentar um confronto direto. Ao ser questionado sobre seus planos, o então candidato citou um plano de governo de “600 páginas”. Quando pressionado a detalhar o conteúdo, no entanto, citou o livro de Gênesis, e emendou uma sequência de palavras soltas e desconexas que não respondiam ao questionamento. O tempo se esgotou e ele deixou o palanque sem ter dito coisa com coisa. Ficou a impressão de um político que, sob pressão, perde o controle do discurso e entrega a pauta ao adversário.
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Histórico de incompetência e o colapso da saúde
A fuga do debate, no entanto, é apenas a ponta do iceberg. O que preocupa é o que ela esconde: um histórico de incompetência que vem se acumulando há anos. O jornalista Anderson Silva lembrou que o período do debate coincide com o ano (2024) em que Wilson Lima assinou o primeiro contrato com a Organização Social de Saúde (OSS) AGIR. Essa manobra, que terceirizou a gestão de grandes hospitais, esvaziou os cofres públicos, torrou dinheiro e não resolveu o problema.
Agora, Roberto Cidade, que governa o estado na esteira de Wilson Lima, tenta se esquivar das perguntas. Médicos da rede estadual denunciam um “calote institucionalizado”, com salários atrasados há meses. A população do Amazonas, por sua vez, enfrenta filas enormes e a falta de medicamentos básicos. Cidade, no entanto, preferiu o silêncio do que enfrentar a realidade.
Covardia política
A ausência de Roberto Cidade no debate foi um ato de covardia política. Ao fugir do confronto, ele mostrou que não tem preparo para governar o Amazonas nos próximos quatro anos. A sua candidatura, moldada pelo ex-governador Wilson Lima, demonstra falta de autonomia e incapacidade de defender propostas sem um roteiro.
No fim, a tentativa de blindagem se transformou em um desgaste de imagem. Roberto Cidade virou a piada oficial da semana. Quem tem conteúdo debate; quem não tem, corre e deixa o púlpito vazio. O recado está dado: o governador pode até ter fugido do debate, mas não pode fugir da história que está construindo para o Amazonas.


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