Polícia
Professor de jiu-jítsu acusado de agredir adolescente se pronuncia: “Se ele é autista, apresente laudo”
Ângelo Carioca afirmou ter agido por impulso após presenciar jovem agredindo um animal; deputado Amom Mandel anunciou que encaminhará o caso ao Ministério Público
Reprodução
Um vídeo que circula nas redes sociais desde esta quarta-feira (29) gerou forte repercussão na capital amazonense. As imagens mostram o professor de jiu-jítsu Ângelo Carioca agredindo um adolescente diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA), no Conjunto Ajuricaba, bairro Alvorada, zona Centro-Oeste de Manaus.
Em sua defesa, Carioca afirmou ter agido por impulso após presenciar o jovem agredindo um animal de rua. Segundo o professor, a confusão começou antes do trecho gravado e divulgado. Ele alega que tentou intervir, passou a ser ofendido verbalmente, teve a família xingada e sofreu agressões, o que o teria levado a reagir.
“Agi movido pela emoção e pelo coração. Não tenho orgulho dessa reação e peço desculpas por ter perdido o controle naquele momento”, declarou.
Carioca afirmou ainda que desconhecia a condição de neurodivergência do adolescente no momento da discussão. “Em nenhum momento ele estava com alguma identificação de autista, muito pelo contrário, era uma pessoa em sã consciência, sabendo da maldade que estava fazendo. Se ele é autista que apresente laudo. Sou uma pessoa de conduta ilibada e dou aula para crianças autistas”, disse.
Repercussão e críticas
A fala do professor, no entanto, gerou uma enxurrada de críticas nas redes sociais. Internautas questionaram sua postura, especialmente por atuar como instrutor de artes marciais para crianças e adolescentes.
“Independente dele ser autista ou não. Ele é um adolescente com a força física menor que você. Não vi no vídeo um pedido de desculpas pela sua atitude, só vi a justificativa. Ainda mais você como se coloca à frente de crianças e adolescentes agindo pela emoção?”, escreveu um seguidor.
Outra internauta criticou: “Um ‘mestre’, principalmente de artes marciais, deveria ter, no mínimo, controle emocional. O injustificável não tem justificativa. Você ensina que as pessoas podem fazer justiça com as próprias mãos?”.
Investigação e providências
O caso ganhou grande repercussão e deverá ser analisado pelo Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM). O deputado federal Amom Mandel (Republicanos-AM) anunciou que encaminhará o material ao Ministério Público para investigação.
“Essas imagens causam indignação. Um adulto não pode usar sua superioridade física contra um adolescente, muito menos quando deveria ser responsável por ensinar disciplina e respeito. Vou levar o caso ao Ministério Público para que tudo seja investigado com seriedade”, afirmou Mandel.
Até o momento, não há informações sobre prisão ou instauração de procedimento criminal. A Polícia Civil do Amazonas foi procurada, mas ainda não se manifestou sobre o caso. A identidade do adolescente está sendo preservada.


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