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Brasil

Jovem é resgatada após perder a perna em ataque de tubarão na praia de Boa Viagem, no Recife

Com o ataque desta segunda-feira, o litoral pernambucano chegou a 84 incidentes com tubarões registrados desde o início da série histórica, em 1992

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Reprodução

Uma jovem de 19 anos teve a perna direita amputada após ser atacada por um tubarão na tarde da última segunda-feira (1º), na praia de Boa Viagem, Zona Sul do Recife. A vítima, identificada como Marcela Vitória de Lima Santos, moradora de São Lourenço da Mata (Grande Recife), foi socorrida por guarda-vidas e banhistas e levada em estado grave ao Hospital da Restauração (HR), onde permanece internada na UTI .

O ataque aconteceu por volta das 15h10, em frente ao cruzamento da Avenida Boa Viagem com a Rua Padre Bernardino Pessoa . De acordo com o Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit) , a espécie envolvida foi um tubarão-tigre adulto, com cerca de três metros de comprimento, animal que costuma ser mais ativo no fim da tarde, período em que intensifica a busca por presas .

Familiares que estavam com a vítima presenciaram o ataque. O primo da jovem, o vigilante Jonas André de Lima, contou que puxou Marcela da água quando ela começou a gritar por socorro. “Foi o momento em que ela foi atacada lá, ficou gritando: ‘Jonas, Jonas’, chamando meu nome. Aí eu fui lá na beira-mar para socorrer ela também. Puxei ela para a beira da praia, chegou um bocado de gente ajudando”, relatou .

Segundo ataque em dois dias

O incidente em Boa Viagem ocorreu menos de 24 horas após outro ataque grave no litoral pernambucano. No domingo (31), uma criança de 11 anos foi mordida por um tubarão na praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes. Identificado como João Lucas Castor Nemezio Sales, o menino teve a perna esquerda amputada e permanece internado na UTI Pediátrica do Hospital da Restauração em estado grave, mas estável .

Segundo o Cemit, a espécie que atacou a criança foi o tubarão-cabeça-chata, que também costuma frequentar áreas rasas em busca de alimento. O animal teria cerca de 2,5 metros de comprimento . De acordo com a porta-voz do comitê, Danise Alves, as condições do mar na ocasião estavam ruins para banho: “Água turva, maré alta, ondas fortes e o animal que se aproximou do raso por conta também da não presença de piscinas naturais, sem barreira recifal, então ele teve um acesso ao raso” .

Histórico e monitoramento

Com o ataque desta segunda-feira, o litoral pernambucano chegou a 84 incidentes com tubarões registrados desde o início da série histórica, em 1992. As praias de Boa Viagem e Piedade concentram, cada uma, 24 casos no período . A região é conhecida pelos ataques devido a fatores ambientais, como a construção do Complexo Portuário de Suape, que alterou os estuários que funcionavam como berçários e áreas de alimentação dos animais, e a presença de canais profundos que aproximam os tubarões da faixa de areia durante a maré alta .

O governo de Pernambuco aprovou, em maio, um projeto da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) para retomar o monitoramento de tubarões no litoral, interrompido desde 2015. Com investimento de R$ 1,05 milhão, a iniciativa prevê o uso de telemetria para rastrear os animais e deve começar em junho .

Orientação às autoridades

Os trechos onde ocorreram os ataques possuem sinalização alertando sobre o risco de incidentes com tubarões, conforme determina um decreto estadual de 1999 . As autoridades reforçam a orientação para que banhistas respeitem as áreas sinalizadas e evitem entrar no mar em locais considerados de risco.