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Amazonas

TCE-AM suspende licitação de R$ 35 milhões da Secom por risco de propaganda irregular em ano eleitoral

Corte apontou falta de justificativas para gasto com serviço “não essencial”. Certame foi lançado na gestão de Wilson Lima, mas decisão atinge atual governo.

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Montagem/Canal92am

O Tribunal de Contas do Amazonas (TCE-AM) determinou a suspensão imediata de uma licitação no valor de R$ 35 milhões conduzida pela Secretaria de Comunicação do Governo do Estado (Secom). O certame, destinado à contratação de serviços de publicidade institucional, foi barrado sob suspeita de irregularidades e pelo risco iminente de configurar propaganda irregular em pleno ano eleitoral de 2026.

A decisão, publicada no Diário Oficial do órgão na última sexta-feira (8), concedeu medida cautelar para paralisar a Concorrência nº 02/2026-CSC. Segundo o entendimento da Corte, o Governo do Estado não apresentou justificativas plausíveis para um gasto dessa magnitude com serviços classificados como “não essenciais” neste momento específico do calendário político. Para o Tribunal, o avanço da licitação sem os devidos esclarecimentos fere princípios básicos da administração pública.

A decisão alerta expressamente para o risco de o contrato “beneficiar indevidamente agentes políticos”, uma vez que o objeto da concorrência envolve a comunicação institucional de entes da administração, incluindo a figura do chefe do Executivo estadual. A Corte destacou ainda que o prosseguimento do trâmite gera “questionamentos acerca da conveniência” e apresenta “possível violação aos princípios constitucionais”.

Herança da gestão anterior

O processo licitatório foi divulgado no Portal Nacional de Contratações Públicas em 12 de fevereiro de 2026, período em que o Estado ainda estava sob a gestão do ex-governador Wilson Lima. O prazo final para o recebimento das propostas encerrou no dia 9 de abril. A Secom segue sob o comando da secretária Josicleia Nogueira, mantida no cargo na atual configuração do governo.

Proibições e prazos legais

Com a vigência da medida cautelar, a Secom fica proibida de dar andamento a qualquer etapa da concorrência: não pode homologar resultados, assinar contratos com as empresas participantes ou emitir ordens de serviço relacionadas ao montante. A secretária de Comunicação foi notificada e tem prazo de até 15 dias para apresentar defesa formal. O descumprimento da suspensão pode acarretar multas e responsabilização dos gestores por crime de responsabilidade.

Os próximos passos envolvem análise técnica da Diretoria de Controle Externo (Dilcon) do TCE-AM, que elaborará laudo sobre o planejamento financeiro da Secom. O Ministério Público de Contas (MPC) emitirá parecer antes que o mérito seja levado a julgamento pelo Pleno do Tribunal.

A reportagem solicitou posicionamento oficial da Secretaria de Comunicação, mas não obteve retorno até a publicação. O espaço segue aberto para atualizações.

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