Brasil
Deputados Sóstenes e Jordy desviaram dinheiro público em “benefício próprio”, diz PF
Relatório cita movimentação de mais de R$ 17 milhões por assessores e uso de empresa de fachada. Ministro Flávio Dino, do STF, determinou quebra de sigilos dos parlamentares.
Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados
A Polícia Federal (PF) apontou em relatório que os deputados federais Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e Carlos Jordy (PL-RJ) teriam desviado recursos da cota parlamentar em “benefício próprio”, por meio de uma organização criminosa que envolvia assessores diretos e uma empresa de fachada. O documento serviu de base para nova fase da operação que investiga os dois parlamentares, deflagrada nesta quinta-feira (18) – exatamente um ano após a primeira etapa, que mirou assessores dos congressistas.
Segundo a PF, os desvios foram realizados por meio de “servidores comissionados no exercício das funções”, com destaque para Adailton Oliveira dos Santos, assessor do PL, e Itamar de Souza Santana, assessor de Jordy. As movimentações financeiras suspeitas teriam sido canalizadas por meio da empresa Harue Locação de Veículos LTDAME, considerada uma “empresa de fachada” pela polícia.
Movimentações milionárias e origem não identificada
De acordo com a investigação, Adailton movimentou entre 2023 e 2024 um total de R$ 11,49 milhões em créditos e R$ 11,48 milhões em débitos. Já Itamar movimentou R$ 5,9 milhões em créditos e R$ 5,9 milhões em débitos. A PF ressaltou que não foi possível identificar a origem ou destino de “parte expressiva dessas transações”.
O relatório aponta ainda que Adailton teria enviado R$ 2,78 milhões a beneficiários não identificados, enquanto Itamar transferiu R$ 640 mil em condições semelhantes. Para a polícia, o volume e a natureza das transações não são compatíveis com “a capacidade econômica ostensiva” dos assessores, o que reforçou a necessidade de aprofundar as investigações.
Organização criminosa com “divisão clara de tarefas”
A PF descreveu a existência de uma organização criminosa com funcionamento “ordenado” e “divisão clara de tarefas”, que teria o objetivo “claro e certo” de ocultar valores originados de infração penal – tipificando possível crime de peculato (desvio de verba pública).
“Em comunhão de desígnios com os deputados federais Sóstenes Cavalcante e Carlos Jordy, diversos indivíduos, entre eles servidores públicos, teriam ocultado e dissimulado valores oriundos de infração penal”, afirma trecho da decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que analisou o caso.
Quebra de sigilo determinada por Dino
Com base no relatório da PF, o ministro Flávio Dino determinou a quebra do sigilo bancário, fiscal e telefônico dos dois deputados, além de autorizar a busca e apreensão em endereços ligados aos investigados. A medida visa esclarecer o fluxo dos recursos e a possível participação dos parlamentares no esquema.
A investigação segue em andamento, e os deputados poderão ser chamados a prestar esclarecimentos. Até o momento, as defesas de Sóstenes Cavalcante e Carlos Jordy não se pronunciaram publicamente sobre as novas acusações.


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