Manaus
Polícia apreende celular e carimbo falso de pediatria em casa de médica investigada por morte de criança
Médica Juliana Brasil é investigada por homicídio doloso após aplicar dose errada de adrenalina em menino de 6 anos. Polícia apura também uso de carimbo com especialidade não reconhecida.
Reprodução
A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) cumpriu, nesta quinta-feira (18), um mandado de busca e apreensão na residência da médica Juliana Brasil Santos, investigada pela morte do menino Benício Xavier, de 6 anos, após a aplicação incorreta de adrenalina em um hospital de Manaus. Entre os itens apreendidos estão o celular da profissional, documentos e um carimbo que indicava a especialidade em pediatria, embora ela não possua título oficial na área.
A ação integra as investigações sobre o caso ocorrido em 23 de novembro. A médica é suspeita de prescrever uma dose excessiva do medicamento, aplicado pela técnica de enfermagem Raiza Bentes Praia, que também responde ao inquérito. Ambas estão em liberdade, após a Justiça negar pedido de prisão preventiva, mas tiveram o exercício profissional suspenso por 12 meses.
Novas investigações: falsidade ideológica e documento falso
De acordo com o delegado Marcelo Martins, titular do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), a médica também é investigada pelos crimes de falsidade ideológica e uso de documento falso, relacionados ao uso do carimbo com a menção à pediatria.
“Todas as regulamentações do Conselho Federal de Medicina indicam que o médico que não possui uma especialização não pode se identificar de nenhuma forma com referência a uma especialidade que ele não possui, e ela fez isso”, afirmou o delegado. “Isso configura o crime de falsidade ideológica e o uso de documento falso”.
A defesa de Juliana Brasil informou, por meio de nota, que ela é formada desde 2019 e atuava legalmente na área, com experiência prática, e que pretendia realizar a Prova de Título de Especialista em Pediatria (TEP) ainda em dezembro. A Sociedade Brasileira de Pediatria permite a obtenção do título sem residência, mediante aprovação nesse exame.
Médica já havia admitido erro em mensagens
Durante as investigações, Juliana Brasil admitiu o erro de dosagem em documento encaminhado à polícia e em conversas com outro profissional de saúde. A defesa alega que a confissão ocorreu “no calor do momento”.
A técnica de enfermagem Raiza Bentes já teve sua suspensão profissional decretada cautelarmente em 1º de dezembro. Nesta quinta-feira, não houve mandados contra ela.
Decisão judicial recente mantém suspensão
Na semana passada, a Justiça do Amazonas negou a prisão preventiva das duas, mas impôs medidas cautelares, incluindo a suspensão profissional. O juiz Fábio Olintho de Souza considerou que manter Juliana no atendimento, especialmente a crianças, representaria “risco inaceitável à saúde pública”.
O magistrado determinou que conselhos regionais e secretarias de Saúde fossem comunicados para assegurar o cumprimento imediato da suspensão.
A polícia continua colhendo depoimentos e analisando documentos para esclarecer as circunstâncias do atendimento e a extensão das responsabilidades. O inquérito também avalia a conduta da técnica de enfermagem e a estrutura do hospital envolvido.


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