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Manaus

Justiça do Amazonas revoga habeas corpus de médica Juliana Brasil, investigada pela morte do menino Benício

Desembargadora Carla Reis considerou que Câmara Criminal não tem competência para julgar pedido feito contra ato de delegado; médica volta a ficar sujeita a medidas cautelares

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Reprodução

A Justiça do Amazonas revogou o habeas corpus preventivo concedido à médica Juliana Brasil Santos, investigada no caso da morte do menino Benício Xavier, de 6 anos. A decisão foi comunicada por meio de ofício da Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado e representa uma guinada no processo que investiga o erro na administração de adrenalina que vitimou a criança no Hospital Santa Júlia.

A desembargadora Carla Maria Santos dos Reis, relatora do processo, declarou que a Câmara Criminal não tem competência para julgar o habeas corpus, uma vez que o pedido foi feito contra um ato praticado por um delegado de polícia e não por um juiz. Por esse motivo técnico, a liminar que protegia a médica foi revogada, deixando-a novamente exposta a eventuais medidas cautelares que possam ser determinadas pela autoridade policial ou judicial.

O habeas corpus havia sido impetrado pelos advogados da médica, incluindo Felipe Braga de Oliveira, com o objetivo preventivo de evitar uma possível prisão durante as investigações. Com a nova decisão, Juliana Brasil perde essa proteção legal em um momento crucial da apuração, que inclui suspeitas de tentativa de adulteração de provas e a revelação de que a equipe de enfermagem escondeu a prescrição médica original por medo de que fosse alterada.

O caso, que ganhou grande repercussão nacional, continua sob responsabilidade da 1ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Manaus. As investigações apontam que a médica Juliana Brasil prescreveu a dose incorreta de adrenalina, e a técnica de enfermagem Raiza Bentes aplicou o medicamento por via endovenosa – quando deveria ser por nebulização – causando a morte do menino em 23 de outubro.

A revogação do habeas corpus acontece em meio a relatos da equipe de enfermagem de que a médica teria tentado acessar o sistema do hospital para alterar a prescrição original após perceber o erro.