Manaus
Caso Benício: equipe de enfermagem escondeu prescrição por medo de médica fazer alterações
Enfermeira e técnica guardaram documento no jaleco por medo de que médica alterasse dose incorreta de adrenalina aplicada em Benício Xavier, revelam depoimentos à Polícia Civil
Reprodução
A prescrição médica que autorizou a aplicação de adrenalina na veia do menino Benício Xavier, 6 anos, foi propositalmente escondida nos jalecos da enfermeira Francineide Macedo e da técnica Tabita Costa no Hospital Santa Júlia, em Manaus. Em depoimentos à Polícia Civil, as profissionais confessaram que protegeram o documento por medo de que a médica Juliana Brasil alterasse a prescrição após perceber o erro na dose que levou à morte da criança.
As investigações do delegado Marcelo Martins apontam que a médica Juliana Brasil prescreveu a dose incorreta de adrenalina, e a técnica de enfermagem Raiza Bentes aplicou o medicamento por via intravenosa – quando deveria ser por nebulização – causando a morte de Benício em 23 de outubro.
Proteção da prova
Francineide Macedo relatou que, após a piora abrupta do quadro do menino, recomendou urgentemente sua transferência para a UTI. Ao ser questionada pela médica Juliana Brasil (“Mas vai ser preciso?”), a enfermeira insistiu: “Sim! Vamos agilizar a internação!”. Com receio de que a médica destruísse a prescrição original, Francineide guardou o documento em seu bolso.
Tabita Costa assumiu que manteve a prescrição impressa em seu jaleco durante as anotações do atendimento. Após a transferência para a UTI, o enfermeiro supervisor Tairo Neves Maciel orientou que o documento não fosse entregue à médica. “A equipe temia que a prescrição fosse apagada do sistema e substituída por outra”, explicou Tabita.
Tentativa de adulteração
O delegado Marcelo Martins informou que a Polícia Civil investiga uma possível tentativa de adulteração de provas por Juliana Brasil. Profissionais relataram que a médica teria tentado acessar a prescrição original para apagá-la e editar os dados no sistema, eliminando o registro do erro na administração do medicamento.
Tabita Costa afirmou que, posteriormente, percebeu que Juliana havia registrado no sistema o reconhecimento do erro, mas também atribuía parte da responsabilidade à equipe de enfermagem.


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