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Política

Ex-vereador do AM é alvo de pedido de prisão por esquema bilionário no INSS

Jucimar Fonseca, “Kico”, ex-coordenador de Pagamentos do instituto, é apontado como operador-chave de fraude que lesou aposentados em R$ 8 bilhões; CPMI aprovou por unanimidade pedido de prisão preventiva de 21 investigados

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Reprodução

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS aprovou por unanimidade nesta terça-feira (2) o pedido de prisão preventiva de 21 pessoas por envolvimento em um esquema de fraudes que desviou R$ 8 bilhões de aposentados e pensionistas do país. Destaque entre os investigados, o amazonense Jucimar Fonseca da Silva, 49 anos, conhecido como “Kico”, ex-vereador de Manacapuru (a 84 km de Manaus) e ex-Coordenador-Geral de Pagamentos do INSS, é apontado como peça central no mecanismo de autorizações fraudulentas que sustentou o esquema.

A decisão, aprovada com 26 votos favoráveis, será encaminhada ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que analisará a medida. A lista inclui outras figuras de destaque no caso, como o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes (“Careca do INSS”), mas é a atuação de Jucimar no cargo estratégico que ganha evidência no relatório.

O esquema e atuação do ex-vereador

De acordo com investigações da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU), Jucimar teria usado sua posição como Coordenador-Geral de Pagamentos do INSS para autorizar desbloqueios em lote que permitiam descontos não autorizados em benefícios. Os valores, de até R$ 81,57 por beneficiário, eram repassados mensalmente a entidades por meio de Acordos de Cooperação Técnica (ACTs) firmados entre o INSS e sindicatos ou associações, sem o consentimento dos aposentados.

Em maio, durante a Operação Sem Descontos, Jucimar foi afastado do cargo após se tornar alvo das investigações. Ele teria assinado uma nota técnica que liberou os repasses fraudulentos para a Contag (Confederação Nacional dos Tracedores na Agricultura), abrindo caminho para o esquema bilionário.

Trajetória política e influência no Amazonas

A trajetória de Jucimar mistura política local e cargo estratégico na máquina federal. Eleito vereador de Manacapuru em 2012, presidiu o Fundo Previdenciário Municipal (Funprevim) e mantém alianças com o ex-prefeito Beto Dangelo e a atual prefeita Valciléia Flores Maciel. Sua transição para o INSS, como servidor concursado, ocorreu na última década, mas sua rede de influência no Amazonas teria facilitado a operação do esquema.

Repercussão e críticas

O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), destacou a demora nas ações contra os investigados, mas enfatizou a centralidade de Jucimar:

“Esse é um caso que escancara como redes locais de poder se articulam com o centro para desviar recursos daqueles que mais precisam. O ex-vereador não agia sozinho, mas sua atuação foi crucial para a continuidade do esquema.”

A expectativa é que o STF se manifeste sobre as prisões ainda nesta semana. Enquanto isso, a CPMI segue apurando desdobramentos do esquema, que teria atingido mais de 1 milhão de beneficiários.

Lista completa dos 21 investigados (nomes a serem submetidos ao STF):

  1. André Paulo Fidelis

  2. Eric Douglas Fidelis

  3. Cecília Rodrigues Mota

  4. Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho

  5. Thaisa Hoffmann Jonasson

  6. Maria Paula Xavier da Fonseca Oliveira

  7. Alexandre Guimarães

  8. Antônio Carlos Camilo Antunes

  9. Rubens Oliveira Costa

  10. Romeu Carvalho Antunes

  11. Domingos Sávio de Castro

  12. Milton Salvador de Almeida Junior

  13. Adelinon Rodrigues Junior

  14. Alessandro Antônio Stefanutto

  15. Geovani Batista Spiecker

  16. Reinaldo Carlos Barroso de Almeida

  17. Vanderlei Barbosa dos Santos

  18. Jucimar Fonseca da Silva

  19. Philipe Roters Coutinho

  20. Maurício Camissotti

  21. Márcio Alaor de Araújo