Polícia
Mãe e companheira são presas por torturar e matar criança de 5 anos em Manaus
Menina teve crânio amassado, sinais de enforcamento e hemorragia interna; pai revela que filha já relatava agressões. Conselho Tutelar é acusado de omissão após denúncias ignoradas
Reprodução
Uma criança de 5 anos foi vítima de tortura e homicídio qualificado praticado pela própria mãe, Rafaela Coelho Ramires, 22, e pela companheira dela, Vitória Coelho Dutra, 25, no bairro Tancredo Neves, Zona Leste de Manaus.
As mulheres foram presas em flagrante na madrugada desta quarta-feira (27) após levarem a menina sem vida à unidade de saúde com a falsa alegação de que ela havia “caído no banheiro”. O laudo do IML revelou traumatismo craniano grave, marcas de enforcamento e hematomas generalizados.
Crime brutal: laudo descarta acidente e confirma tortura
O exame necroscópico constatou o crânio amassado com afundamento ósseo, marcas de enforcamento no pescoço, hemorragia interna no fígado (possivelmente por socos), hematomas nas costas, braços, orelhas e boca e lesões consistentes com maus-tratos contínuos.
A versão das acusadas, de que a menina teria caído de bicicleta ou no banheiro, foi totalmente descartada.
“A bicicleta era pequena e compatível com sua idade. Jamais causaria esses ferimentos”, explicou a advogada Adriane Magalhães, que representa a família.
Pai revela denúncias prévias: “Ela me contava que apanhavam”
Oziel Pereira, pai da vítima, morava em Fonte Boa (a 678 km de Manaus) e não tinha custódia da filha. Em depoimento emocionado, declarou: “Ela me dizia: ‘Papai, a Rafaela me bate e a Vitória também me bate’. Denunciei, mas nada foi feito. Quero justiça na Terra e no Céu”.
Oziel veio a Manaus apenas para reconhecer o corpo no IML.
“Era minha única filha”, desabafou em entrevista ao portal CM7.
Omissão do Estado: MP já havia denunciado agressoras em março
O Ministério Público do Amazonas (MP-AM) havia formalizado denúncia contra Rafaela e Vitória por maus-tratos em março, mas o Conselho Tutelar da Zona Leste não retirou a criança da guarda das acusadas.
A advogada Adriane Magalhães afirmou: “Se o Estado tivesse agido, essa criança estaria viva. O Conselho Tutelar será responsabilizado criminalmente”.
Testemunhas relataram que as mulheres levavam a menina ao hospital horas após as agressões, sem acionar o SAMU, para evitar alertar as autoridades.
Prisão e possível penalidade
Rafaela e Vitória foram presas em flagrante e responderão por homicídio qualificado (feminicídio infantil), tortura e maus-tratos.
Elas passarão por audiência de custódia e podem pegar até 30 anos de prisão. A Polícia Civil também investiga a omissão de órgãos públicos.


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