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Política

Em revés no Congresso, Omar Aziz perde presidência da CPMI do INSS para candidato da oposição

Derrota do senador do PSD-AM, que era o candidato oficial do governo, expõe falha na articulação política da base lulista e fortalece oposição na comissão

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Omar Aziz é senador pelo Estado do Amazonas e Carlos Viana é senador pelo Estado de Minas Gerais (Fotos: Reprodução e Waldemir Barreto/Agência Senado)

Em uma clara demonstração de fragilidade da base governista, o senador Omar Aziz (PSD-AM) foi derrotado na eleição para a presidência da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, nesta quarta-feira (20).

O cargo foi conquistado pelo senador Carlos Viana (Podemos-MG), nome que contou com forte articulação da oposição e é visto como alinhado aos interesses do bloco oposicionista. A vitória de Viana representa um significativo revés político para o governo Lula.

A derrota de Aziz, que era o candidato oficial do Palácio do Planalto, pegou a base governista de surpresa e é atribuída por interlocutores do Congresso a uma falha de articulação política do governo. Fontes ouvidas pela CNN destacaram que o Planalto dispunha de quatro meses para articular a votação e contava com o apoio do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), mas mesmo assim não conseguiu assegurar a vitória de seu candidato.

Imediatamente após ser eleito, Carlos Viana nomeou o deputado Alfredo Gaspar (União-AL) para a relatoria da comissão, consolidando o controle da oposição sobre os cargos-chave da investigação que apurará o esquema de descontos em benefícios do INSS. A articulação que garantiu a vitória de Viana foi conduzida pelo líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), e pelo líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN).

Repercussão e Próximos Passos

A surpreendente derrota de Omar Aziz levanta questionamentos sobre a capacidade de articulação do governo em votações estratégicas no Congresso, especialmente em comissões mistas que exigem trânsito tanto na Câmara quanto no Senado. A oposição agora comanda os trabalhos da CPMI, que promete investigar a fundo as denúncias de irregularidades no INSS, um tema de grande sensibilidade social.

Com a presidência e a relatoria em mãos da oposição, a tendência é que os trabalhos da comissão sigam um ritmo e uma direção que podem ser incômodos para o governo federal. A expectativa é de que as investigações sejam aprofundadas e que haja grande pressão sobre o Executivo. A bancada governista tenta agora negociar a vice-presidência da comissão para minimizar os impactos da derrota sofrida.