Cultura
Boi Caprichoso emociona com espetáculo sobre lutas dos Povos da Floresta em noite histórica no Bumbódromo
Um show de luzes, alegorias, fantasias, performances, lutas e emoções dentro e fora do Bumbódromo.
Arthur Castro/ Secom
O Boi Caprichoso marcou a primeira noite do 58º Festival de Parintins com uma apresentação impactante que celebrou as raízes culturais amazônicas. Sob o tema “Amyipaguana, a retomada pelas lutas”, o tricampeão transformou a arena em um palco de resistência cultural com performances que mesclaram tradição e inovação.
Um show de luzes, alegorias, fantasias, performances, lutas e emoções dentro e fora do Bumbódromo. O bumbá evidenciou ainda mais o motivo de ser o tricampeão de Parintins com momentos alegóricos, cênicos e coreográficos intensos, artísticos e extasiantes.

Arthur Castro/ Secom
“A família azul e branca está de parabéns! Começamos com o pé direito. Expectativa para amanhã é crescer um pouco mais, subir um pouco mais a régua do espetáculo. Se Deus quiser, a gente vai fazer uma apresentação belíssima como essa”, comemorou o presidente do Caprichoso, Rossy Amoedo.
“Foi um espetáculo perfeito. Tenho certeza que foi tudo aquilo que a galera esperava da gente. É o resultado do nosso trabalho. A gente tem convicção no trabalho que a gente tem feito. Estamos muito felizes, porque a reação da galera é de muita alegria, de felicidade e, acima de tudo, esse congraçamento de tudo aquilo que foi apresentado”, avalia o diretor de arena, Edwan Oliveira.
Espetáculo
A lenda amazônica “Yuripari” abriu o espetáculo alegórico. A entidade da floresta foi demonizada pelos missionários religiosos, que queriam catequisar os indígenas. Mas, o Caprichoso retoma o relato histórico dos povos originários e apresenta Yurupari como ente sagrado da cultura indígena. O momento alegórico apresentou a bela cunhã-poranga Marciele Albuquerque.

Arthur Castro/ Secom
Em uma merecida homenagem às mulheres, o Caprichoso apresentou a Figura Típica Regional “Majés, as senhoras da cura”, numa referência às parteiras, benzedeiras, puxadeiras, erveiras, conselheiras e demais conhecedoras da sabedoria popular, indígena, negra, cabocla. A rainha do Folclore Cleise Simas, a sinhazinha Valentina Cid e o boi foram destaques na alegoria.

O amo do boi Caetano Medeiros foi um show à parte, seus versos e toadas encantaram e arrancaram aplausos. O levantador de toadas, Patrick Araújo, deu o tom potente e afinado ao espetáculo com performances surpreendentes. Toda a apresentação contou com a maestria e eloquência do apresentador Edmundo Oran, que conduziu a festa majestosamente bem.

Arthur Castro/ Secom
Para fechar a primeira noite, o Caprichoso realizou outro momento de retomada: o Ritual Tupinambá, que apresentou o manto Tupinambá como um verdadeiro artefato sagrado de poder espiritual usado pelos pajés, desconstruindo a versão do homem colonizador que afirmava que o objeto era “usado por um guerreiro para abater o inimigo”. O pajé do Caprichoso Erick Beltrão conduziu o rito.
Com a apresentação, o Boi Caprichoso se mostra forte, impactante e emocionante na busca pelo quarto título consecutivo no Festival de Parintins.


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