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Política

Relator vota contra investigação de Gonet no caso Master; Conselho do MPF tem 2 a 0 para manter PGR

Francisco Sanseverino afirma que não há contato direto entre Gonet e Vorcaro e que cabe ao STF decidir sobre suspeição; conselheira Janice Ascari vota por apuração preliminar e placar segue em aberto

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Fábio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil

O subprocurador-geral da República Francisco de Assis Vieira Sanseverino votou nesta sexta-feira (25) contra a abertura de investigação sobre a conduta do procurador-geral da República, Paulo Gonet, no caso Master. Relator do procedimento no Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF), Sanseverino concluiu que não há elementos mínimos de materialidade ou autoria de crime atribuível a Gonet e votou pela manutenção dele à frente das investigações relacionadas ao Banco Master.

A sessão é presidida pelo vice-presidente do Conselho, o subprocurador-geral Nicolao Dino, irmão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal. Gonet não compareceu por ser o alvo do procedimento interno analisado. Após o voto do relator, a conselheira Janice Ascari divergiu e votou a favor da designação de um subprocurador para uma apuração preliminar, formando placar de 1 a 1 sobre esse ponto específico.

“Não há mensagens diretas”

O centro do voto de Sanseverino foi a ausência de contato direto entre Gonet e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O relator destacou que a Polícia Federal não encontrou o nome de Gonet salvo como contato no celular de Vorcaro, nem registros de conversas diretas entre os dois. As referências ao procurador-geral apareceram em trocas de mensagens entre Vorcaro e seu ex-advogado, Ciro Soares, que se apresentava ao cliente como interlocutor com o PGR.

“Há o registro de conversas entre Daniel Vorcaro e Ciro Soares, mas não há qualquer registro de conversa entre o investigado Daniel Vorcaro e Paulo Gonet. Vale dizer, há referências ou menções feitas por terceiras pessoas a Paulo Gonet”.

Para o relator, essa ausência de comunicação direta “já enfraquece a tese da alegada existência de amizade íntima” entre os dois. Sanseverino também alertou que analisar frases ou mensagens de forma isolada e descontextualizada poderia criar “uma imagem artificial que não corresponde aos fatos”.

Encontro em Londres

Sobre a foto tirada em abril de 2024, em que Gonet e Vorcaro aparecem juntos em um evento em Londres patrocinado pelo Banco Master, Sanseverino classificou o encontro como “isolado” e “superficial”, ocorrido em ambiente social, na presença de outras pessoas e antes do início das investigações contra o banqueiro. Segundo o relator, o banco “não constava como patrocinador do evento até então e era para ele uma instituição financeira em atividade aparentemente regular”.

O que dizem as mensagens

As mensagens obtidas pela PF no celular de Vorcaro mostram que Ciro Soares se apresentava ao ex-banqueiro como um interlocutor do procurador-geral. Em 15 de março de 2025, Soares enviou uma foto com Gonet e escreveu: “Liga aqui. Ele quer falar com você”. Em seguida, Vorcaro ligou para o telefone do advogado.

Em 28 de março, Soares avisou a Vorcaro que Gonet viajaria com o grupo para um evento em Londres. No dia seguinte, perguntou se o filho do procurador-geral, Pedro Gonet, poderia acompanhar a comitiva. Vorcaro respondeu: “Óbvio né”. Em 11 de abril, uma funcionária de Vorcaro perguntou quais convidados estavam autorizados a viajar “com despesas pagas por nós”. Vorcaro rejeitou bancar outros convidados, mas abriu exceção para aprovar Ciro Soares e Pedro Gonet: “Pedro e Ciro ok”, disse.

Voto divergente

A conselheira Janice Ascari votou a favor da designação de um subprocurador para uma apuração preliminar. Ela afirmou que os elementos disponíveis não justificam, neste momento, a instauração imediata de um procedimento de investigação criminal contra Gonet, mas defendeu que os fatos sejam esclarecidos antes de uma decisão definitiva. Entre as questões que demandariam maiores esclarecimentos, citou as tratativas para a suposta participação de Pedro Gonet no evento em Londres e o conteúdo de uma ligação que teria ocorrido entre o PGR e Vorcaro.

Próximos passos

A votação continua com a análise dos demais conselheiros. O CSMPF é composto por nove integrantes da cúpula do Ministério Público Federal, e oito participam da votação — Gonet está impedido por ser o alvo do procedimento. Se houver maioria pela abertura da investigação, um subprocurador-geral será designado para relatar a apuração. Caso a maioria rejeite a abertura, o caso será arquivado.

A decisão do Conselho tem caráter administrativo e não impede que eventuais questionamentos sobre a suspeição de Gonet sejam apresentados diretamente ao Supremo Tribunal Federal, onde tramitam as petições relacionadas ao caso Master.