Manaus
Renato Junior culpa Governo do AM por déficit de R$ 90 milhões no transporte: “Não mandou um centavo para o Passe Livre Estudantil”
Prefeito afirmou que Estado não quitou valores referentes ao Passe Livre Estudantil e cobrou cumprimento de decisão judicial
Reprodução
A crise no transporte coletivo de Manaus ganhou mais um capítulo nesta terça-feira (21). Em coletiva de imprensa, o prefeito Renato Junior (Avante) afirmou que o Governo do Amazonas não repassou “um centavo em 2026” para custear o Passe Livre Estudantil da rede estadual e atribuiu ao Executivo estadual a responsabilidade pelo déficit acumulado de R$ 90 milhões no sistema.
“O Governo do Estado não mandou um repasse para o Passe Livre Estudantil. Pagou apenas 60% do valor e ainda deve 40%, referente ao ano passado. Eu desafio o governador Roberto Cidade a mostrar um comprovante de repasse do Passe Livre Estudantil de 2026. Ainda não passou nenhum centavo deste ano. Querem resolver tudo na brincadeira”, declarou.
Segundo Renato Junior, o contrato que garantia a gratuidade aos alunos da rede estadual venceu e, embora tenha sido renovado, o acordo deixou de ser atualizado em maio deste ano, o que interrompeu os pagamentos do Estado ao sistema. O prefeito afirmou que o Governo do Amazonas ingressou com uma ação judicial e obteve uma liminar determinando que o Sinetram autorizasse a venda direta das meias-passagens ao Estado pelo valor da tarifa pública, fixada em R$ 2,50. Apesar da decisão judicial, os pagamentos não foram realizados.
“Não vou permitir que o governador Roberto Cidade continue a não cumprir com os alunos da rede pública estadual. A rede pública municipal vai continuar com a meia-passagem. Eu não vou permitir que o governador Roberto Cidade retire o Passe Livre Estudantil. É a continuação do Wilson Lima, não pagar. Temos um governo que está acabando com Manaus”, disse o prefeito.
Prefeitura alega repasses em dia
Renato Junior divulgou que, em 2026, a Prefeitura de Manaus repassou ao Sinetram R$ 284 milhões em subsídio. Segundo ele, a Prefeitura está em dia com todos os repasses destinados ao sistema e o impasse tem origem exclusivamente no não pagamento do Passe Livre da rede estadual.
O prefeito também contestou os números apresentados pelo Estado. Enquanto o Governo informou que mais de 130 mil alunos teriam direito ao benefício, os registros auditados do sistema apontam utilização mensal entre 37 mil e 45 mil estudantes.
Greve e decisão judicial
A paralisação dos rodoviários, iniciada na segunda-feira (20) com 100% da frota parada, teve os ônibus liberados parcialmente na madrugada desta terça-feira (21) após decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT-11). A Justiça determinou que 80% da frota opere nos horários de pico (das 6h às 9h e das 17h às 20h) e 50% nos demais períodos, sob pena de multa de R$ 120 mil por hora.
Cerca de 350 mil passageiros foram prejudicados pela paralisação.
A greve foi motivada pelo atraso no pagamento dos salários da categoria. No início do mês, o TRT-11 concedeu liminar determinando que as empresas paguem 40% dos salários até o dia 20 de cada mês e os 60% restantes até o quinto dia útil seguinte — prazo que não foi cumprido na segunda-feira.
Governo do Estado rebate
Em nota, o Governo do Amazonas afirmou que vem cumprindo suas obrigações e que já repassou R$ 31,1 milhões em 2025. Sobre os valores referentes a 2026, o Executivo estadual informou que tentou realizar o pagamento em depósito judicial, mas os recursos não foram liberados “em razão da recusa do Sinetram em assinar petição conjunta com o Estado do Amazonas”. O governo também afirma que o Sinetram não apresentou os dados completos de viagens dos estudantes para validar os cálculos.
O diretor do Sinetram, César Tadeu Teixeira, afirmou que não houve assinatura do documento porque as partes não conseguiram chegar a um acordo. O sindicato patronal alertou que o sistema de transporte coletivo está “à beira do colapso” e que, sem os repasses, a gratuidade para os estudantes da rede estadual pode ser suspensa.
As negociações entre as partes seguem em andamento, enquanto a população continua sofrendo os reflexos da crise no transporte público de Manaus.


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