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Morre Netinho, ícone do axé music, aos 60 anos
Cantor baiano lutava contra um linfoma não Hodgkin desde 2025 e não resistiu a complicações da doença; velório e cremação serão restritos a familiares e amigos
Reprodução/Instagram
O cantor Netinho, um dos principais nomes do axé music, morreu na manhã desta terça-feira (13), aos 60 anos, em Salvador. A informação foi divulgada pela assessoria do artista em nota publicada nas redes sociais. Ele estava internado no Hospital Aliança Star desde o fim de setembro, após a recidiva de um linfoma não Hodgkin do tipo B, câncer que afeta o sistema linfático.
Segundo o comunicado, a doença evoluiu para um quadro de falência renal e disfunção múltipla de órgãos. A morte foi descrita como “tranquila”.
Uma despedida serena
Nos últimos meses de tratamento, Netinho costumava tranquilizar as pessoas ao seu redor com uma mensagem que se tornou sua despedida. “Partirei feliz, realizado, pois a vida me deu muito mais do que eu sonhei. Levarei comigo o sorriso de cada fã que foi feliz com a minha arte”, dizia o cantor.
Por desejo expresso do próprio artista, o velório e a cremação serão realizados de forma reservada, em uma cerimônia restrita a familiares e amigos próximos.
Da Banda Beijo ao estrelato solo
Nascido Ernesto de Souza Andrade Júnior, em Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo Baiano, em 12 de julho de 1966, Netinho mudou-se com a família para Salvador aos 10 anos. Começou a se interessar por música ainda jovem e ganhou o primeiro violão aos 14 anos.
A projeção nacional veio em 1988, quando assumiu os vocais da Banda Beijo durante o Carnaval de Salvador. No mesmo ano, emplacou “Beijo na Boca”, música que marcou o início de sua trajetória no axé.
Em 1993, iniciou a carreira solo com o álbum “Um Beijo pra Você”, que ultrapassou a marca de um milhão de cópias vendidas. O maior sucesso veio em 1996, com “Milla”, canção composta por Manno Góes que se tornou um hino do Carnaval brasileiro e foi regravada em mais de oito idiomas.
Outros hits marcaram sua carreira, como “Menina”, “Prefixo de Verão”, “Capricho dos Deuses”, “Preciso de Você” e “Estrela Primeira (Amor, Eu Fico)”.
Legado e controvérsias
Além da música, Netinho também investiu no mercado fonográfico, abrindo um estúdio de gravação e mixagem no Rio de Janeiro que recebeu artistas como Maria Bethânia, Milton Nascimento, Gilberto Gil e Lenny Kravitz.
Sua trajetória pública, no entanto, também foi marcada por polêmicas. Em 2013, sofreu três acidentes vasculares cerebrais (AVCs), que o afastaram dos palcos por quatro anos. Em 2020, gerou críticas ao classificar o Carnaval de Salvador como “Sodoma e Gomorra” e fazer declarações consideradas ofensivas à comunidade LGBTQIA+. Em 2021, sua participação em uma manifestação política com a música “Milla” gerou uma disputa judicial com o compositor Manno Góes.
A morte de Netinho encerra a trajetória de um dos artistas mais populares do axé music, gênero que ajudou a popularizar em todo o país. Ele deixa uma filha, Bruna Trindade, fruto de seu casamento com a jornalista Mariana Trindade.
Fãs e artistas lamentaram a perda nas redes sociais. A cantora Claudia Leitte escreveu: “Descanse em paz, meu irmão”.


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