Cultura
“Três dias do ano que as pessoas mais contraem HIV”, declara humorista sobre Festival de Parintins e gera revolta
Dunga Mesquita afirmou, sem apresentar dados, que evento seria o período com maior contaminação pelo vírus.
Canal92am
O humorista Dunga Mesquita causou forte repercussão nas redes sociais após publicar um vídeo em que associa o Festival Folclórico de Parintins à transmissão do HIV. A gravação, divulgada na última segunda-feira (15), gerou críticas de internautas, profissionais da saúde e defensores dos direitos das pessoas que vivem com o vírus.
No vídeo, o humorista afirma que o festival representaria “os três dias do ano que as pessoas mais contraem HIV” e declara, sem apresentar dados ou fontes oficiais, que Parintins seria a segunda cidade do Amazonas com maior número de casos da infecção. Em outro trecho, ele sugere que pessoas teriam contraído o vírus durante a edição anterior do evento e retornariam à cidade no ano seguinte.
A publicação também traz expressões consideradas preconceituosas, como “boi soropositivo”, em referência aos bois-bumbás Caprichoso e Garantido, além de associar pessoas vivendo com HIV à perda de peso. As declarações foram alvo de críticas por reforçarem estigmas e desinformação sobre a doença.
Especialistas rebatem afirmações
Especialistas ressaltam que a transmissão do HIV não pode ser vinculada a um evento específico sem investigação epidemiológica e comprovação técnica. A infecção ocorre por meio de situações específicas de exposição ao vírus, independentemente de festas, festivais ou localidades.
Dados oficiais do Ministério da Saúde mostram que a incidência de HIV no Amazonas é de 20,8 casos por 100 mil habitantes, acima da média nacional de 17,8. Os municípios com maiores índices são Manaus, com 26,3 casos por 100 mil; Itacoatiara, com 22,3; Iranduba, com 13,8; e Parintins, com 12,1.
Especialistas apontam que as declarações do humorista desconsideram dados oficiais e reforçam o estigma em torno do HIV, o que pode prejudicar campanhas de prevenção e o combate ao preconceito contra pessoas que vivem com o vírus.
Repúdio de órgãos e entidades
O Ministério Público do Trabalho (MPT) e a Defensoria Pública do Amazonas repudiaram as falas do humorista, classificando-as como discurso de ódio e desinformação. A Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) também se manifestou, reforçando que o Amazonas possui políticas de prevenção e tratamento do HIV e que nenhum dado oficial corrobora as afirmações feitas por Dunga Mesquita.
Até o momento, o humorista não se pronunciou sobre a repercussão das declarações.


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