Política
Flávio Bolsonaro recua e anuncia voto a favor do fim da escala 6×1
Após criticar a proposta por semanas, candidato do PL diz que atenderá “a maioria dos trabalhadores” e defende que o governo federal banque a compensação às empresas
Reprodução/X
O candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, anunciou nesta terça-feira (13) que votará a favor da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de trabalho 6×1. A declaração representa uma mudança de posição em relação às semanas anteriores, quando o senador criticava a proposta e defendia um modelo alternativo de remuneração por hora trabalhada.
“Estou rodando o Brasil, e a maioria dos trabalhadores brasileiros quer o fim da 6 por 1. Então, vou votar a favor do fim da 6 por 1. Mas defendemos algo ainda melhor. Queria que tivesse liberdade para o trabalhador montar sua escala de trabalho”, afirmou Flávio após visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília.
O senador citou situações que, segundo ele, não estão contempladas no texto em discussão, como o trabalho em home office e o caso de mães que só podem trabalhar meio período. Ainda assim, garantiu o voto favorável à matéria.
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“Quem vai pagar essa conta vai ser o governo”
Flávio Bolsonaro defendeu que o governo federal assuma o custo da redução da jornada, argumentando que os empresários não têm condições de arcar com a contratação de mais funcionários.
“A gente vai votar a favor do fim da 6×1 e quem vai pagar essa conta vai ser o governo, porque os empresários estão sufocados, estão quebrados”, declarou. “O governo vai ter de bancar essa compensação, porque, obviamente, quando você reduz a jornada de trabalho, será necessária a contratação de mais pessoas.”
O candidato também acusou o governo Lula de ter endividado empresas e famílias ao longo dos últimos anos.
Votação no Senado
A PEC 221/2019 está prevista para ser votada em primeiro turno, nesta quarta-feira (14), no plenário do Senado. A proposta reduz a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais e garante dois dias de repouso remunerado, extinguindo a escala 6×1.
O relator da matéria, senador Omar Aziz (PSD-AM), apresentou parecer favorável e manteve o texto aprovado pela Câmara dos Deputados em maio, quando a proposta passou por ampla maioria. Para ser aprovada, a PEC precisa de três quintos dos votos dos senadores — ou seja, 49 dos 81 — em dois turnos de votação.
O tema ganhou centralidade no segundo turno da eleição presidencial. O governo Lula tem defendido a aprovação da proposta como uma das principais bandeiras da campanha. Flávio Bolsonaro, principal adversário do petista na disputa, criticava a iniciativa e chegou a classificá-la como oportunista, mas recuou diante da pressão popular.


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