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França tem quase 2 mil detidos em protestos de estudantes; professores e alunos ficam feridos

Manifestações de estudantes do ensino médio se espalharam pelo país e resultaram em bloqueios de escolas, confrontos com a polícia e incêndios; governo fala em “violência urbana” e convoca reunião de crise

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Reprodução

Protestos de estudantes do ensino médio na França resultaram em 1.949 detenções só na última quinta-feira (1º), segundo o Ministério do Interior francês. As manifestações, que começaram na região de Paris em setembro e se espalharam pelo país, levaram ao bloqueio de centenas de escolas, confrontos com a polícia e incêndios em entradas de colégios. Nesta sexta-feira (2), o ministro da Educação, Édouard Geffray, informou que 735 das cerca de 3.700 escolas de ensino médio do país foram afetadas de alguma forma.

Violência e feridos

Os protestos também deixaram um rastro de violência. Em La Ciotat, no sul do país, uma professora foi atingida com gasolina e agredida por duas pessoas, segundo autoridades locais. Em Tours, um jovem perdeu a visão do olho direito após ser ferido durante confrontos entre estudantes e policiais. Em Nantes, um incêndio destruiu o saguão de entrada do colégio Nelson Mandela, que permanecerá fechado até as férias de Todos os Santos.

Ao todo, 284 policiais e gendarmes ficaram feridos, além de 65 funcionários da educação — incluindo 40 diretores — e 170 alunos, de acordo com o Ministério da Educação. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, afirmou que 1.747 pessoas foram presas nesta sexta-feira. Segundo ele, houve lançamento de objetos contra policiais, além de agressões contra agentes de segurança, professores, jornalistas e pessoas que passavam pelos locais das manifestações.

Reivindicações dos estudantes

Os estudantes reivindicam melhores condições nas escolas, redução da carga horária e contratação de funcionários para substituir professores ausentes. Entre as queixas estão turmas sobrelotadas, instalações degradadas e os efeitos das ondas de calor nas salas de aula. O governo anunciou um plano para acelerar a reposição de profissionais que não comparecem às aulas.

Reunião de crise e acusações políticas

Diante da escalada da violência, o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, convocou uma reunião de crise e pediu aos ministros que cancelassem viagens nos próximos dias. O governo francês considera que os protestos já não têm relação com “a expressão legítima das reivindicações dos alunos”, classificando os incidentes como “características de uma situação de violência urbana”.

O Ministério do Interior apontou o partido de esquerda radical La France Insoumise (LFI) como um dos responsáveis pela mobilização, acusação que a legenda e o principal sindicato de estudantes, a Union Syndicale Lycéenne (USL), refutam. O deputado Louis Boyard, da LFI, rejeitou a afirmação em declarações à televisão francesa.

Contexto político

O movimento ocorre sete meses antes da eleição presidencial que definirá o sucessor de Emmanuel Macron. O presidente não poderá disputar um terceiro mandato consecutivo. As organizações estudantis já convocaram uma nova jornada de manifestações para a próxima terça-feira (6).