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Política

Contrato de R$ 7,9 mi com UEA e protesto dos concursados da PM marcam sabatina de Roberto Cidade

Governador diz ter mandado encerrar contratos com empresas da própria família, mas vínculo da UEA com empresa de seus irmãos segue ativo; do lado de fora da emissora, aprovados da Polícia Militar cobravam convocação

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Arte: Canal92am

A participação do governador Roberto Cidade (União Brasil) em uma sabatina da Rede Amazônica nesta quarta-feira (16) acabou concentrando dois temas incômodos para sua campanha à reeleição: a permanência de um contrato milionário entre a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e uma empresa de seus irmãos e a cobrança de aprovados no concurso da Polícia Militar do Amazonas por novas convocações.

Durante a entrevista, Cidade afirmou ter determinado, ao assumir o Governo do Amazonas, o encerramento dos contratos estaduais mantidos com empresas ligadas à própria família. Segundo ele, embora esse tipo de contratação não seja necessariamente ilegal, considera inadequado mantê-la enquanto ocupa o comando do Executivo. A declaração foi registrada durante a sabatina eleitoral desta quarta-feira.

O problema é que um dos contratos permanece ativo.

A UEA mantém vínculo com a RR Serviços de Transporte e Navegação Ltda., empresa que tem entre seus sócios Grace Kelly Arruda Cidade e Renan Matheus Arruda Cidade, irmãos do governador. O quarto termo aditivo do Contrato nº 043/2023-UEA reajustou em 4,68% o valor da contratação e elevou o montante global para R$ 7.916.570,88, equivalente a aproximadamente R$ 659,7 mil mensais.

O contrato é destinado à locação de veículos para unidades da universidade no interior do Amazonas, com serviços que incluem motorista, combustível, seguro e manutenção.

Cidade diz que precisa verificar situação

Questionado na sabatina sobre a permanência desse vínculo mesmo após a determinação anunciada por ele, Roberto Cidade disse não conhecer os detalhes do caso e afirmou que precisaria verificar a situação.

“Deve ter sido alguma questão de rescisão, alguma questão que a gente precisa olhar com muito carinho”, declarou, segundo relato publicado pelo Portal Amazonas1.

Na mesma entrevista, o governador reiterou que havia determinado a interrupção dos contratos envolvendo parentes.

“Desde o momento que eu assumi o Governo do Estado do Amazonas, eu determinei que todos os contratos firmados entre alguém que tem relação comigo, que seja da minha família, fossem rescindidos”, afirmou.

A situação cria uma diferença objetiva entre a determinação anunciada pelo governador e o que ocorreu no contrato da UEA: o vínculo permaneceu em vigor e recebeu reajuste.

A existência do contrato e do aditivo, por si só, não demonstra irregularidade ou ilegalidade. O ponto levantado durante a sabatina é o cumprimento da decisão política anunciada pelo próprio governador de retirar empresas familiares da relação contratual com o Estado.

Aditivo elevou contrato para quase R$ 8 milhões

O contrato com a RR Serviços não começou na atual gestão. Documentos oficiais mostram que, em novembro de 2024, o segundo termo aditivo já previa valor global de R$ 7.562.640 e pagamento mensal de R$ 630.220 pelo serviço de locação de vans e picapes para unidades da UEA no interior.

Em 2026, o quarto termo aditivo aplicou o reajuste de 4,68%, levando o valor para R$ 7,916 milhões. Fontes locais divergem sobre a data exata de assinatura do documento — algumas apontam junho e outras julho —, mas convergem quanto ao número do contrato, percentual do reajuste, empresa contratada e novo valor global.

A questão ganha relevância política porque Cidade está em campanha pela permanência no Governo do Amazonas e havia transformado o encerramento desses vínculos familiares em uma posição pública de sua administração.

Do lado de fora, aprovados da PM faziam protesto

Enquanto Roberto Cidade participava da entrevista, outro problema aguardava o governador na saída da emissora.

Cerca de 100 aprovados no concurso da Polícia Militar do Amazonas se concentraram em frente à sede da Rede Amazônica, no bairro Aleixo, para cobrar a convocação de aproximadamente mil candidatos, segundo os organizadores do movimento.

O grupo afirma que os candidatos já concluíram etapas do concurso e aguardam uma definição do Governo do Amazonas sobre novas chamadas para o curso de formação.

Um dos representantes do movimento, Paulo Machida, havia estabelecido o dia 15 de setembro como prazo para uma resposta sobre uma reunião com o governador. Nesta quarta-feira, segundo os manifestantes, eles receberam a informação de que o encontro havia sido transferido para o dia 22.

“A gente não quer mais palavras. Queremos atitude. Convoque os últimos mil”, afirmou Machida durante a manifestação.

Governador diz que grupo está no cadastro de reserva

Durante a sabatina, Cidade afirmou que os candidatos aprovados dentro do número de vagas previsto no concurso já foram chamados e que os manifestantes fazem parte do cadastro de reserva.

O governador também mencionou a formação recente de novos policiais e justificou o adiamento da reunião com a comissão em razão de compromissos de sua agenda eleitoral.

Segundo relatos publicados nesta quarta-feira, após deixar a emissora Roberto Cidade não parou para conversar com os candidatos que estavam concentrados no local.

Os manifestantes, por outro lado, sustentam que já buscaram interlocução com diferentes setores do governo, entre eles Secretaria de Segurança Pública, Secretaria de Governo, Casa Militar e Casa Civil, sem que tenha sido apresentada até agora uma data definitiva para a convocação reivindicada.

Uma manhã de cobranças para o governador

A sabatina que deveria servir principalmente para apresentar propostas eleitorais acabou expondo dois pontos de pressão sobre Roberto Cidade.

Dentro do estúdio, o governador precisou explicar por que uma empresa pertencente a seus irmãos continua contratada pela UEA depois de ele próprio afirmar que mandou encerrar contratos familiares.

Do lado de fora, candidatos aprovados da Polícia Militar cobravam uma resposta sobre quando — e se — serão chamados pelo Estado.

Em ambos os casos, o centro da cobrança é semelhante: a distância entre os anúncios feitos pelo governo e a expectativa de que eles sejam efetivamente concretizados.