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Política

Dino retira sigilo de investigação sobre desvio de emendas para o filme “Dark Horse”

Ministro do STF determina que Polícia Civil de SP envie à PF todo o material apreendido; decisão expõe suspeitas envolvendo o deputado Mario Frias e a produtora Karina Gama

Brasília, (DF) – 18/09/2023 – Entrevista coletiva sobre Operação Shamar. E/D. Secretário nacional de Segurança Pública, Tadeu Alencar, ministro da Juatiça, Flávio Dino, e o diretor de Operações Integradas e de Inteligência, Romano Costa, Foto Valter Campanato/Agência Brasil.

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou neste domingo (13) o sigilo da investigação que apura o possível desvio de emendas parlamentares para o financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) . A decisão alcança o material produzido pela Polícia Civil de São Paulo, que já conduzia uma apuração sobre o caso, e determina que o STF centralize o inquérito .

Com a medida, serão divulgadas pelo menos cinco mil páginas de documentos da investigação paulista . Dino também ordenou que a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo entregue à Polícia Federal (PF) todo o material bruto extraído dos celulares apreendidos, incluindo os que ainda não tiveram a perícia concluída . Os aparelhos, computadores e documentos recolhidos deverão ser transferidos para a custódia da PF.

O que a investigação apura

O inquérito sob relatoria de Dino mira o possível uso irregular de emendas parlamentares federais no financiamento do filme . Segundo a PF, os elementos reunidos indicam um “sofisticado esquema de destinação e desvio de recursos públicos” .

O deputado federal Mario Frias (PL-SP) é apontado como possível figura central do esquema . Ele é acusado de ter destinado R$ 2 milhões em emendas ao Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina Gama, que também é dona da produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme . O dinheiro foi pago em parcelas entre fevereiro e outubro do ano seguinte .

A PF suspeita que parte desses recursos tenha sido desviada para o filme por meio de uma rede de empresas contratadas sem que os serviços tenham sido efetivamente prestados . A Academia Nacional de Cultura, também presidida por Karina Gama, teve as atividades suspensas . As investigações apontam que o esquema teria funcionado até julho deste ano e movimentado centenas de milhões de reais .

A decisão de Dino reproduz uma manifestação da PF que menciona, inclusive, uma linha investigativa sobre possíveis vínculos com o Primeiro Comando da Capital (PCC) .

Medidas cautelares e críticas a vazamentos

Além da retirada do sigilo, Dino determinou que nenhum dos investigados deixe o país sem comunicar a Justiça e ordenou o recolhimento dos passaportes . O ministro também proibiu qualquer novo contrato ou parceria que envolva dinheiro público com empresas suspeitas de participar do esquema .

Ao tornar os documentos públicos, Dino afirmou que o STF passa por uma “viragem jurisprudencial” em relação à publicidade das investigações e criticou os chamados “vazamentos seletivos”, que, segundo ele, podem comprometer a imparcialidade quando autoridades escolhem alvos com base em “amizades e inimizades” ou interesses ilegítimos .

Defesa de Mario Frias

Em vídeo publicado nas redes sociais na noite de quinta-feira (10), o deputado Mario Frias classificou a operação como uma “cortina de fumaça” em período eleitoral. Segundo ele, a emenda parlamentar investigada foi destinada a um projeto esportivo e de letramento digital para crianças, e ele disse ter documentos e notas para comprovar a licitude da ação .

“Levaram celular, documentos, computador. Ninguém foi preso. É claro, porque não existe mandado de prisão contra mim nem contra ninguém”, declarou o parlamentar .

Frias negou que tivesse destinado emendas ao filme “Dark Horse” .

Investigação paralela

Além do inquérito sob relatoria de Dino, outra investigação no STF apura se o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) intermediou o repasse de R$ 61 milhões do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para o financiamento do mesmo filme . Esse caso é conduzido pelo ministro André Mendonça e tramita em separado .

Flávio Bolsonaro nega irregularidades e afirma que os pedidos a Vorcaro se referem a uma relação privada . Em pronunciamento na última quinta-feira, o candidato à Presidência afirmou que o filme não utilizou “um centavo de dinheiro público” e classificou a operação como uma tentativa de interferência política nas eleições .