Conecte-se conosco

Manaus

Pela 5ª vez só em agosto, Manaus registra dia mais quente do ano com temperatura de 37,3ºC

Cinco dias depois de registrar recorde, cidade fecha agosto com nova máxima nesta segunda-feira, 31. Agosto é o mais seco dos últimos 40 anos.

Manaus atingiu um novo recorde de temperatura, com 37,3ºC nesta segunda-feira (31). Os dados são do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). A máxima foi alcançada cinco dias depois do último recorde quebrado, de 37,1ºC, no dia 25 de agosto.

Todos os dias mais quentes do ano até o momento foram atingidos no mês de agosto. Confira:

  • 31 de agosto: 37,3 ºC
  • 25 de agosto: 37,1ºC
  • 26 de agosto: 36,9ºC
  • 11 de agosto: 36,3ºC
  • 10 de agosto: 36,2ºC

Especialistas reforçam que as altas temperaturas registradas já eram esperadas para o período e podem ser intensificada por conta do El Niño. O fenômeno climático natural é provocado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Esse aquecimento altera a circulação da atmosfera e muda padrões de chuva, temperatura e vento em várias regiões do planeta.

“O verão amazônico fornece a condição sazonal básica para o calor, enquanto o El Niño atua como um possível fator de intensificação”, explica a meteorologista Andrea Ramos.

Segundo dados do Inmet, uma combinação de fatores climáticos e de ocupação do solo também torna Manaus vulnerável ao acúmulo de calor

A localização geográfica sob o clima equatorial já impõe, por natureza, taxas elevadas de umidade e alta incidência de radiação solar durante todo o ano. No entanto, é a transformação do espaço urbano que potencializa o problema.

Impermeabilização do solo: a pavimentação densa sobre antigas áreas verdes impede a infiltração da água da chuva. Sem água retida no solo para evaporar, a cidade perde o mecanismo natural de resfriamento da terra.

Retenção no asfalto e concreto: a predominância de materiais escuros na pavimentação e nas construções possui baixo índice de refletividade (albedo). Na prática, o asfalto e o concreto funcionam como ‘esponjas térmicas’ que absorvem a energia do Sol de dia e a liberam de noite.

Barreiras para a circulação do ar: o avanço acelerado e muitas vezes desordenado de construções e edifícios em diversos bairros cria bloqueios físicos. Essas barreiras impedem que as brisas úmidas sopradas pelos rios Negro e Amazonas circulem pela cidade.

De acordo com a meteorologista Andrea Ramos, o nível baixo dos rios durante a seca típica do verão amazônico, que ocorre entre julho e novembro, não produz diretamente uma massa de ar quente sobre Manaus. O que favorece o calor é o mesmo ambiente atmosférico que contribui para a estiagem: menor frequência de chuva, menor nebulosidade e maior incidência de radiação solar.

“Quando o solo e a vegetação perdem umidade, a energia solar deixa de ser utilizada na evaporação da água e passa a ser convertida em calor sensível, aquecendo diretamente o ar próximo à superfície. O calor atual deve ser interpretado principalmente pelo padrão atmosférico e sazonal”, pontua Andrea Ramos.

Para a meteorologista, a falta de arborização urbana aliada aos materiais da construção civil transforma as cidades em ambientes hostis e perigosos durante eventos extremos de calor e a solução precisa partir do poder público.

“O pessoal não tem as cidades muito arborizadas e isso faz com que fiquem mais quentes. É urgente que o poder público comece a reverter isso porque nós vamos ter cada vez mais ondas de calor, e elas serão mais intensas”, alerta Luciana Gatti.

*Com informações do G1 Amazonas.

 

 

 

Clique para comentar

Faça um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *