Amazonas
Crise na saúde do AM: com salários atrasados há meses e respaldo do CFM, médicos indicam greve geral
Profissionais de hospitais, fundações e SPAs de Manaus acumulam débitos desde 2025; Conselho Federal de Medicina orienta e respalda juridicamente categoria para paralisação
Reprodução
A saúde pública do Amazonas atravessa um de seus momentos mais críticos. Com salários e plantões atrasados há meses, com relatos de dívidas que se arrastam desde o final de 2025, médicos que atuam em hospitais, fundações e Serviços de Pronto Atendimento (SPAs) de Manaus sinalizam a possibilidade de uma paralisação geral. O movimento ganhou novo fôlego após o Conselho Federal de Medicina (CFM) vir a público para orientar e respaldar juridicamente a categoria.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, três conselheiros titulares do CFM, Francisco Eduardo Cardoso Alves (SP), Raphael Câmara Medeiros Parente (RJ) e Diogo Leite Sampaio (MT), criticaram duramente o governo do Amazonas e manifestaram apoio a uma eventual greve, desde que respeitadas as normas éticas e a legislação vigente.
“Governador, você não paga ninguém e quer colocar a culpa no médico? Por favor, pague os médicos do Amazonas”, afirmou o conselheiro Diogo Leite Sampaio.
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O conselheiro Francisco Cardoso afirmou que o CFM está disposto a oferecer respaldo jurídico aos profissionais caso decidam organizar uma paralisação. Já Raphael Câmara, que possui o título de cidadão manauara, chamou os atrasos de “calote institucionalizado” contra os médicos da rede pública estadual.
Dívidas acumuladas e escalas comprometidas
A revolta dos dirigentes sindicais e dos profissionais do setor está centralizada no comando político do Estado. Lideranças da saúde acusam diretamente o ex-governador Wilson Lima e o atual governador Roberto Cidade de empurrarem uma “bola de neve” de dívidas com empresas terceirizadas e cooperativas médicas, prejudicando quem atua na ponta do atendimento.
Segundo a Queiroz Serviços e Gestão em Saúde LTDA., empresa contratada pelo Governo do Amazonas para prestar serviços médicos generalistas em seis unidades estaduais, incluindo os SPAs Alvorada, Zona Sul e Joventina Dias, os valores referentes aos meses de outubro, novembro e dezembro de 2025 ainda estão pendentes. O contrato, firmado em julho de 2025 com a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM), tem duração de quatro anos e valor previsto de R$ 90,4 milhões. Segundo a empresa, ainda não existe um cronograma oficial para a regularização dos pagamentos.
Um médico que atua no SPA Alvorada, que não quis se identificar, confirmou o atraso (de acordo com o Portal G1) e disse que a situação compromete a vida financeira dos trabalhadores.
“Esse atraso, infelizmente, é algo que costuma acontecer e prejudica muito porque não estamos falando de algo que dura dias. Todos nós temos nossos compromissos pra arcar e a gente precisa ir se virando, contando com apoio da própria família, enquanto continua trabalhando. É cansativo, frustrante, principalmente por acreditar que não será a última vez”, afirmou.
Impacto nos atendimentos
Além do impacto financeiro, a demora no pagamento de salários, honorários, plantões e sobreavisos dificulta a organização das escalas, compromete a manutenção das equipes e prejudica a continuidade dos atendimentos. O Sindicato dos Médicos do Amazonas (Simeam) e o Conselho Regional de Medicina do Amazonas (CRM-AM) já anunciaram um plano de ação para cobrar do Estado os valores devidos e estudam medidas judiciais para garantir o pagamento.
As entidades defendem que a regularização dos pagamentos é necessária para manter as equipes médicas, garantir a continuidade dos serviços e assegurar atendimento adequado à população. Com o respaldo do Conselho Federal de Medicina, a possibilidade de uma paralisação geral ganha contornos cada vez mais concretos.


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