Amazonas
Teatro Amazonas e Theatro da Paz são reconhecidos como Patrimônio Mundial da Unesco
Em decisão anunciada na madrugada desta segunda-feira (27), durante a 48ª sessão do Comitê do Patrimônio Mundial em Busan, na Coreia do Sul, os dois ícones da arquitetura amazônica passam a integrar a Lista do Patrimônio Mundial Cultural sob a designação “Teatros da Amazônia”
Divulgação e Marivaldo Pascoal
O Teatro Amazonas, em Manaus, e o Theatro da Paz, em Belém, foram oficialmente reconhecidos como Patrimônio Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). A decisão foi tomada pelo Comitê do Patrimônio Mundial na madrugada desta segunda-feira (27), durante a 48ª sessão do encontro realizado em Busan, na Coreia do Sul.
A candidatura conjunta foi apresentada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em parceria com o Ministério da Cultura (MinC) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE), com colaboração dos Governos do Amazonas e do Pará.
Primeiro reconhecimento cultural da Amazônia
A inscrição dos “Teatros da Amazônia” representa um marco inédito: é a primeira vez que um bem cultural localizado na Amazônia brasileira é incluído na lista da Unesco. O presidente do Iphan, Deyvesson Israel Alves Gusmão, destacou que esta “conquista histórica” representa o reconhecimento de que, além de constituir um paradigma de patrimônio natural e ambiental, a Amazônia é geradora de culturas, memórias e identidade.
Com a aprovação, o Brasil passa a contar com 26 sítios inscritos na Lista do Patrimônio Mundial da Unesco, dos quais 16 são culturais, nove são naturais e um é misto.
Símbolos do Ciclo da Borracha
Construídos durante o auge do Ciclo da Borracha, no final do século XIX, os dois teatros representam o esplendor econômico da região. O Theatro da Paz, em Belém, foi inaugurado em 1878, enquanto o Teatro Amazonas abriu suas portas em 31 de dezembro de 1896, com a ópera “La Gioconda”, do compositor italiano Amilcare Ponchielli.
Ambos os edifícios foram erguidos com materiais importados da Europa — mármore italiano, vidros e cristais franceses, estruturas metálicas da Inglaterra — e se tornaram símbolos do intercâmbio cultural entre a América e a Europa. A odisseia para construir esses teatros no coração da floresta inspirou o célebre filme alemão “Fitzcarraldo” (1982).
Atualmente, o Teatro Amazonas abriga concertos, óperas, peças de teatro e eventos como o Festival Amazonas de Ópera. O Theatro da Paz, em Belém, também recebe óperas, companhias de teatro e concertos. Os dois teatros passaram a abrigar manifestações da cultura popular brasileira, do carimbó ao jazz, do boi-bumbá ao cinema, impulsionando a formação de artistas e técnicos.
A aprovação da candidatura brasileira ocorreu após a avaliação de 33 dossiês na sessão da Unesco: 29 novas candidaturas, uma proposta retomada, duas solicitações de alteração de limites e uma reavaliação. Os dois teatros já eram tombados pelo Iphan desde os anos 1960.
O secretário de Cultura do Amazonas, Marcos Apolo Muniz, afirmou que o reconhecimento “é um marco que coloca o Teatro Amazonas e o Theatro da Paz no seleto grupo dos maiores patrimônios culturais do mundo, valorizando a cultura e a história da região Norte”.


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