Manaus
Greve dos rodoviários chega ao fim em Manaus após repasse de R$ 18 mi do Governo do AM
Sindicato confirma retomada de 100% da frota, mas alerta para nova paralisação se salários não forem pagos até 6 de agosto; dívida do Estado com o sistema pode chegar a R$ 90 milhões
Divulgação
O Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Manaus (STTRM) anunciou, na manhã desta quarta-feira (22), a suspensão da greve que paralisou o transporte coletivo da capital por dois dias. O presidente da entidade, Givancir Oliveira, confirmou que os ônibus voltarão a circular com 100% da frota após o Governo do Amazonas depositar R$ 18 milhões ao Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram).
“Eu quero agradecer à categoria, à população que apoiou nosso movimento. A nossa briga era para colocar pão na mesa do trabalhador”, declarou Givancir.
A greve teve início na segunda-feira (20), quando 100% da frota deixou de operar. Na noite do mesmo dia, o Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT-11) declarou o movimento abusivo e determinou a circulação mínima de 80% dos ônibus nos horários de pico (6h às 9h e 17h às 20h) e 50% nos demais períodos, sob pena de multa de R$ 120 mil por hora.
Atraso de seis meses e impasse sobre o valor da passagem
Segundo o Sinetram, o Estado estava há seis meses sem pagar o subsídio que custeia o passe livre para os estudantes da rede estadual. O Governo do Amazonas, por sua vez, argumentou que o sindicato se recusava a receber os R$ 18milhões por discordar do montante . O 44 milhões.
O impasse central está no valor da passagem. Embora a tarifa pública cobrada na catraca seja de R$ 5, o custo real por passageiro — a chamada “tarifa técnica” — 8,50 e R9,30. O Estado obteve na Justiça o direito de pagar apenas 2,50 por viagem de estudante, correspondente à meia-passagem.
Alerta para nova greve
Apesar do fim da paralisação, Givancir Oliveira fez um alerta: caso os salários da categoria não sejam pagos até o dia 6 de agosto, uma nova greve poderá ser deflagrada. Além dos vencimentos, o sindicato cobra o pagamento de benefícios como cesta básica, vale-lanche, plano de saúde e auxílio-creche das cobradoras.
Críticas ao Governo do Estado
Durante o anúncio, o presidente do STTRM voltou a responsabilizar o Governo do Amazonas pelos atrasos nos repasses do passe livre estudantil, afirmando que a situação colocou em risco a saúde financeira das empresas e comprometeu o pagamento dos trabalhadores. Ele também rebateu críticas direcionadas à Prefeitura de Manaus, afirmando que o município tem cumprido sua parte nos repasses ao sistema.
O prefeito Renato Júnior, em vídeo publicado nas redes sociais, comemorou o repasse e cobrou que as empresas paguem os trabalhadores. “Depois de muita cobrança, o Governo do Estado finalmente realizou o repasse de parte dos recursos. Agora, faço um apelo ao Sinetram e ao Sindicato dos Rodoviários para que realizem o pagamento dos trabalhadores e encerrem a paralisação o quanto antes”, afirmou.
Com a suspensão da greve, todos os ônibus voltaram a circular normalmente em Manaus. O sindicato, no entanto, reforçou que acompanhará o cumprimento dos próximos pagamentos e poderá retomar a paralisação caso os compromissos financeiros com a categoria não sejam honrados.


Faça um comentário