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Política

Racha no PL: “Apoio não se impõe, se conquista”, diz Delegado Péricles em críticas a pressões por voto em Maria do Carmo

Deputado estadual rejeitou tentativas de impor alinhamento à pré-candidata e defendeu trajetória ao lado de Bolsonaro; racha expõe isolamento da empresária dentro da legenda.

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Arte/Canal92am

O clima interno no Partido Liberal do Amazonas chegou a um novo patamar de tensão. O deputado estadual Delegado Péricles (PL) publicou um vídeo nas redes sociais, nesta sexta-feira (3), em que rejeita pressões para apoiar a pré-candidatura de Maria do Carmo Seffair ao Governo do Estado e afirma que “apoio não se impõe, se conquista”.

A manifestação ocorre em meio a uma crise crescente na legenda, que já acumula episódios de esvaziamento de eventos, afastamento de aliados e trocas públicas de acusações. Embora o partido mantenha oficialmente a pré-candidatura de Maria do Carmo, nos bastidores cresce a percepção de que a empresária enfrenta dificuldades para consolidar sua pré-campanha e ampliar sua base dentro da própria estrutura partidária.

Críticas veladas e mensagens “encomendadas”

No vídeo, Péricles afirmou ter recebido “mensagens claramente encomendadas” questionando quem seria ou não de direita com base no apoio à pré-candidata. Sem citar Maria do Carmo diretamente, o deputado rejeitou o que classificou como uma tentativa de impor fidelidade em torno de uma única liderança.

“Como se a fidelidade ideológica se medisse pelo alinhamento a uma pessoa que tenta impor sua liderança e não por valores, trajetória e coerência de conduta”, destacou.

O parlamentar afirmou ser de direita por “convicção” e não por “oportunismo”, e disse que acredita nos princípios que o ex-presidente Jair Bolsonaro representa e que “nunca foram manchados por qualquer caso de corrupção”. Ele relembrou que é o único parlamentar do Amazonas que esteve ao lado de Bolsonaro em todos os momentos, desde o PSL até a migração para o PL.

“Ser de direita não pode ser reduzido a apoiar ou rejeitar uma pessoa que chegou há pouco tempo, cujas convicções reais ainda não são conhecidas, e que não demonstra disposição para o diálogo. Direita é postura, é coerência, honestidade”, finalizou.

Sinais de desgaste se acumulam

A fala de Péricles é apenas o capítulo mais recente de um racha que vem se aprofundando há semanas. O lançamento das pré-candidaturas de Maria do Carmo e do deputado federal Capitão Alberto Neto (PL) ao Senado, em maio, foi marcado por atraso de mais de duas horas e público abaixo da expectativa.

Alberto Neto, que dividiu com Maria do Carmo a chapa na eleição municipal de 2024, deixou de acompanhar os compromissos políticos da empresária e passou a priorizar agendas próprias no interior. Nas últimas 18 publicações do deputado federal, Maria do Carmo foi citada apenas uma vez.

O distanciamento também envolve o presidente estadual do PL, Alfredo Nascimento, com quem a pré-candidata teria uma relação de desgaste. Em maio, o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, divulgou vídeo reafirmando a autoridade de Alfredo no comando estadual.

Divergência pública

O embate ganhou contornos públicos após uma reportagem do portal Rios de Notícias, veículo ligado a Maria do Carmo, abordar a tramitação de uma PEC na Assembleia Legislativa. O deputado, que preside a Comissão de Constituição e Justiça da Aleam, classificou a matéria como “tendenciosa, mentirosa e maldosa”.

A resposta veio por meio de nota assinada por Maria do Carmo e pelo empresário Wellington Lins, mantenedores do veículo, defendendo o conteúdo publicado. O episódio transformou divergências internas em um embate público entre duas das principais figuras do PL no Amazonas.

O cenário eleitoral

A crise ocorre em um momento estratégico para o partido, que busca consolidar seu espaço no cenário político estadual às vésperas das eleições de outubro. Maria do Carmo aparece com 18,3% das intenções de voto na última pesquisa DMP, atrás de Omar Aziz (PSD), com 33,9%, David Almeida (Avante), com 19,8%, e Roberto Cidade (União Brasil), com 19,2%.

A convenção partidária, prevista para o início de agosto, deve ser o próximo teste para medir o tamanho real da crise e a capacidade de Maria do Carmo de reverter o quadro de desgaste interno.