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Bolívia terá segundo turno inédito com oposição dividida entre Paz Pereira e Quiroga

Jorge Quiroga e Rodrigo Paz Pereira, ambos da oposição, tiram da disputa partido que chegou ao poder com Evo Morales há 20 anos; país volta às urnas no dia 19 de outubro

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Senador Rodrigo Paz (à esq) e ex-presidente Jorge Tuto Quiroga (à dir). – Pat Bolivia Tv/Wikicommons e Jorge Tuto Quiroga Ramirez/Facebook

Pela primeira vez em 20 anos, o MAS (partido de Evo Morales) ficará fora do segundo turno das eleições presidenciais na Bolívia. Os dados divulgados neste domingo (17) apontam:

  • Rodrigo Paz Pereira (oposição): 32,08%;

  • Jorge “Tuto” Quiroga (oposição): 26,94%;

  • Samuel Doria Medina (oposição): 19,93%;

  • Andrónico Rodríguez (esquerda dissidente): 8,11%;

  • Votos nulos (campanha de Evo): 19%.

Cenário político inédito

O país terá seu primeiro segundo turno desde a Constituição de 2009, marcado para 19 de outubro. A fragmentação da esquerda – dividida entre Evo Morales, o presidente Luis Arce e Andrónico Rodríguez – abriu caminho para o domínio da oposição.

Perfil dos finalistas

  • Paz Pereira: Filho do ex-presidente Jaime Paz Zamora, surpreendeu ao liderar a disputa. Recebeu apoio imediato de Doria Medina e promete “varrer a corrupção”.

  • Quiroga: Ex-presidente (2001-2002), busca retorno ao poder com discurso de “mudança de sistema”.

Crise econômica pesou

O desgaste do MAS foi acelerado por reservas internacionais em colapso, inflação recorde de 25% ao ano, queda nas exportações de gás e escassez de combustíveis e alimentos.

Reações

  • Evo Morales (em redes sociais): Acusou Arce de “roubar o MAS” e defendeu os 19% de votos nulos como protesto.

  • Andrónico Rodríguez: Sofreu ataques físicos durante a votação em Cochabamba.

  • Doria Medina: Cumpriu promessa e já declarou apoio a Paz Pereira.

Próximos desafios

O vencedor enfrentará, em 2025, negociações sobre exploração de lítio, necessidade de formar base parlamentar e pressão social por estabilidade econômica.

Esta eleição marca o fim de um ciclo de 18 anos de governos do MAS, que desde 2006 reduziu a pobreza mas esgotou seu modelo econômico baseado no gás natural.