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Amazonas

Indígena relata abusos sexuais em delegacia do Amazonas; MP e polícia investigam

Mulher foi mantida em cela masculina e sofreu violações durante nove meses; caso expõe falhas no sistema prisional

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Divulgação/PCAM

O Ministério Público do Amazonas (MPAM) confirmou nesta quarta-feira (23) que acompanha com “rigor e sensibilidade” o caso de uma mulher indígena que denunciou ter sofrido abusos sexuais sistemáticos na 53ª Delegacia Interativa de Polícia (DIP) de Santo Antônio do Içá, município a 881 km de Manaus. Os crimes teriam ocorrido ao longo de nove meses, em 2022, quando a vítima foi presa e alojada em cela masculina – a unidade não possuía ala feminina.

Relato chocante da vítima

Em depoimento ao MPAM, na terça-feira (22), a indígena detalhou ter sofrido estupros coletivos por parte de policiais, com a agravante de que as violações ocorreram na presença de seu filho recém-nascido, que permaneceu com ela durante todo o período de custódia.

Ela afirmou ainda que não recebeu qualquer tipo de assistência médica ou psicológica após o parto, sendo submetida a condições degradantes de prisão, incluindo superlotação e convívio forçado com detentos do sexo masculino.

MP promete apuração rigorosa

A Procuradora-Geral de Justiça do Amazonas, Leda Mara Albuquerque, classificou o caso como “extremamente grave” e afirmou que o MPAM atuará para garantir a responsabilização dos envolvidos.

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Divulgação/PCAM

“Estamos diante de violações que ferem princípios elementares da legalidade e da dignidade humana. O caso será acompanhado com toda a atenção necessária”, declarou.

O órgão analisa medidas cíveis para reparação à vítima, incluindo indenizações por danos morais e materiais.

Polícia investiga sob sigilo

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Divulgação/PCAM

A Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM) informou que a Polícia Civil instaurou procedimento administrativo através do Departamento de Polícia do Interior (DPI) e da Corregedoria-Geral. Já a Polícia Militar informou que o Inquérito Policial Militar (IPM) sobre o caso está em fase final de apuração.

Ambas as investigações tramitam sob sigilo, segundo a SSP-AM, “para preservar a integridade das diligências”.