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Política

“Nikole” vira caso de ética: Janones suspenso por ironia que virou ofensa

O imbróglio começou com um discurso de Nikolas, em 2023, quando no Dia da Mulher ele apareceu de peruca na tribuna

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Reprodução/ Câmara dos Deputados

A Câmara dos Deputados transformou um bate-boca irônico em caso de punição ética. André Janones (Avante-MG) teve seu mandato suspenso por 90 dias após insistir em chamar Nikolas Ferreira (PL-MG) de “Nikole” durante sessão plenária, uma provocação que o Conselho de Ética considerou homofóbica, mas que o deputado mineiro garante ser “respeito à identidade de gênero auto-declarada”.

A ironia que virou caso

O imbróglio começou com um discurso de Nikolas, em 2023, quando no Dia da Mulher ele apareceu de peruca na tribuna afirmando: “Hoje me sinto mulher. Deputada Nikole”, em claro tom de deboche contra mulheres trans.

Janones, desde então, adotou o nome feminino para se referir ao colega – prática que Nikolas nunca contestou até levar a brincadeira para o Conselho de Ética.

Em sua defesa, Janones manteve o tom:

“Ele não usou a tribuna novamente para retirar. Até que ele peça desculpas ou fale que não é mais a Nikole, todas as vezes que me refiro a ele, em respeito a maneira como ele se identifica, eu sempre me refiro no gênero feminino”.

O relator Fausto Santos Jr. (União-AM) não comprou a versão: “Usar identidade de gênero como xingamento fere o decoro”.

Revanche nas redes

Enquanto a suspensão era votada, Janones disparou: “De repente eu começo a levar chutes e não eram de brincadeira, eram muito fortes, nas minhas pernas, pela frente e por trás. Como se não bastasse isso: eles começaram a me apalpar, a pegar no meu pênis. Está gravado”. A alegação de assédio sexual, com direito a supostos agarrões genitais, virou o contraponto irônico do caso.

Ele afirmou que protocolou representação no mesmo Conselho de Ética e apresentará 8 minutos em vídeo das agressões e ofensas que sofreu.