Amazonas
Hemoam perde 40% das doações após fim da “doação de reposição” e faz apelo por voluntários
Com a proibição de hospitais exigirem doadores entre familiares de pacientes, hemocentro de Manaus vê estoque despencar na primeira semana de outubro; plaquetas, que vencem em 5 dias, são a maior preocupação, e a instituição precisa de 250 doações/dia, mas recebe cerca de 165
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O único hemocentro do Amazonas está em alerta. O Hemoam registrou uma queda de 40% nas doações de sangue na primeira semana de outubro, logo após a entrada em vigor da Portaria nº 11.685/2026, do Ministério da Saúde, que proibiu hospitais de exigirem que familiares e amigos de pacientes doem sangue para repor o estoque utilizado em transfusões. O temor é que a redução comprometa o abastecimento da rede pública e privada do estado.
O que mudou com a nova regra
A portaria, publicada em julho e válida desde 30 de setembro, reforça o caráter voluntário e altruísta da doação. Antes, a chamada “doação de reposição” — quando parentes eram cobrados a repor as bolsas usadas por um paciente internado — respondia por cerca de 50% do estoque de sangue no Amazonas. Com a proibição, esse fluxo praticamente desapareceu, e o hemocentro passou a depender exclusivamente da iniciativa espontânea da população.
A gerente de Captação de Doadores do Hemoam, Nívia França, explica que a mudança teve impacto direto no volume de coletas, uma vez que parte expressiva da população costumava comparecer apenas para atender a pedidos direcionados a conhecidos ou familiares. “Tememos que falte sangue nas instituições de saúde. Então faço esse apelo: doe sangue. Não espere alguém conhecido precisar. Porque muitas vidas já esperam pelo seu gesto”, alerta.
A urgência das plaquetas
O setor mais crítico é o de plaquetas, componente do sangue usado em tratamentos contra o câncer e em pacientes com doenças hematológicas. As plaquetas têm validade de apenas cinco dias, o que exige doações frequentes e regulares para manter o estoque. Com a queda nas coletas, a situação se torna ainda mais delicada.
Além disso, o Hemoam precisa de cerca de 250 doações diárias para manter os estoques regulares, mas tem recebido entre 160 e 165 — muito abaixo do necessário. O sangue coletado atende cirurgias, emergências, tratamentos oncológicos e pacientes com doenças hematológicas crônicas.
Sazonalidade e fim de ano
Outro fator que agrava o cenário é a sazonalidade do segundo semestre. Muitos doadores habituais já completaram seus ciclos anuais de doação, e a proximidade das festas de fim de ano e das férias historicamente reduz as coletas, enquanto a demanda por transfusões aumenta devido a emergências e acidentes.
Como doar
Para doar sangue no Hemoam, é necessário:
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Ter entre 16 e 69 anos (jovens de 16 e 17 anos precisam de autorização do responsável legal);
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Pesar no mínimo 50 kg;
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Estar em boas condições de saúde, descansado e bem alimentado;
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Apresentar documento oficial com foto.
O Hemoam funciona na avenida Constantino Nery, 4.397, bairro Chapada, em Manaus, de segunda a sexta-feira, das 7h às 18h, e aos sábados, das 7h às 17h. Uma única doação pode ser separada em diferentes componentes e beneficiar até quatro pacientes.
Diante da queda, a instituição também convoca hospitais a promoverem ações de conscientização para atrair novos doadores e incentivar quem já doa a continuar contribuindo. A mensagem é clara: a necessidade de sangue não diminuiu — apenas a forma de captá-lo mudou. E, sem a “reposição” obrigatória, a salvação de vidas depende, agora mais do que nunca, da solidariedade espontânea.


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