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Manaus

“Manaus pede socorro”: Prefeito Renato Junior cobra providências urgentes dos governos Estadual, Federal e Internacional, contra fumaça e destaca ações do município

Com qualidade do ar em nível ‘perigoso’ e índice 80 vezes acima do recomendado pela OMS, prefeito cobra ação de autoridades estaduais, nacionais e até internacionais; cidade registrou o pior dia do ano neste sábado (17)

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Reprodução

O prefeito de Manaus, Renato Junior (Avante), publicou um vídeo nas redes sociais neste sábado (17) no qual faz um apelo por socorro diante da cortina de fumaça que encobre a capital amazonense. A fumaça, originada de queimadas em municípios do interior do Amazonas e em estados vizinhos, colocou a qualidade do ar da cidade em níveis considerados “perigosos”, com índices que ultrapassam em dezenas de vezes os limites recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

“Manaus está sendo sufocada e o mais revoltante é que a nossa cidade não está promovendo as queimadas, mas está pagando um preço altíssimo por elas e isso é inaceitável”, declarou o prefeito no vídeo. Ele reforçou que a capital não é a origem do fogo: “Manaus não está em chamas, as chamas vêm de outros municípios e até de outros estados. Enquanto a fumaça sufoca e prejudica o nosso povo, a nossa gente, faço um apelo a todas as autoridades estaduais, nacionais e até internacionais, Manaus precisa de socorro”.

Cenário crítico

Os dados confirmam a gravidade da situação. Por volta das 8h40 deste sábado, o índice de qualidade do ar em Manaus chegou a 657 pontos, segundo a plataforma internacional IQAir. A concentração de partículas finas (PM2,5) atingiu 404,3 microgramas por metro cúbico (µg/m³) , o equivalente a 80,9 vezes a diretriz anual recomendada pela OMS, que é de 5 µg/m³. A cidade chegou a ocupar o topo do ranking global de pior qualidade do ar.

O Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), registrou entre 366,8 µg/m³ e 465,6 µg/m³ nas estações da capital neste sábado, quando o limite diário máximo recomendado pela OMS é de 32 µg/m³. A poluição também afetou municípios do interior: Urucurituba registrava 731,1 µg/m³ e Maués, 724,7 µg/m³ por volta das 7h16.

Além dos riscos à saúde, a fumaça reduziu a visibilidade e impediu operações aéreas de combate aos incêndios florestais, segundo o Ibama. A Defesa Civil emitiu alerta de risco severo e recomendou o uso de máscaras.

Ações da prefeitura e apelo à população

No vídeo, Renato Junior listou medidas que a gestão municipal tem adotado. Segundo ele, a prefeitura já plantou mais de 40 mil árvores somente em 2026, realiza irrigação noturna de praças e árvores e intensificou ações de conscientização na área urbana e rural. “Estamos fazendo a nossa parte, mas volto a repetir: Manaus não está em chamas”, afirmou. Dados oficiais da prefeitura confirmam o plantio recorde de 40 mil árvores no ano.

O prefeito também fez um apelo direto à população mais vulnerável: “Crianças, idosos, gestantes, por favor, bebam água, se protejam, se recolham dentro de suas casas, não se exponham a essa fumaça”. Ele garantiu que as Unidades Básicas de Saúde (UBS) do município estão de portas abertas para atender ocorrências respiratórias.

Origem do fogo e resposta das autoridades

A fumaça que atinge Manaus é resultado de queimadas no interior do Amazonas e em estados vizinhos, como Rondônia, Pará e Mato Grosso. A falta de chuvas, típica do período de estiagem, contribui para a permanência dos poluentes na atmosfera. Entre 1º de janeiro e 12 de outubro, o Amazonas registrou 7.815 focos de calor, um aumento de 116% em relação ao mesmo período de 2025. O pico foi de 494 novos focos no dia 10 de outubro; nesta sexta-feira (16), o estado contabilizava 188 focos ativos.

O governo federal montou uma força-tarefa com 330 brigadistas, 11 aeronaves, 32 veículos terrestres e oito embarcações para combater os incêndios. O Ministério da Saúde identificou 12 municípios que necessitam de apoio nos serviços de saúde e avalia a capacidade de fornecimento de oxigênio nas unidades. O Ministério do Meio Ambiente alertou que parte dos incêndios é criminosa, com focos identificados no meio de floresta preservada.

Críticas e histórico

Não é a primeira vez que o prefeito atribui a crise à falta de ação de outras esferas de governo. Em setembro, Renato Junior já havia reunido um Comitê de Crise Climática e culpado o Estado pela falta de políticas de combate às queimadas no interior. O prefeito também foi alvo de críticas por vetar, em meio à fumaça, um dispositivo que previa a instalação de pontos municipais de monitoramento da qualidade do ar.

A crise atual ocorre em um ano de eleição estadual, com o governo de Roberto Cidade (União Brasil) enfrentando queda de popularidade: 43% dos eleitores desaprovam sua gestão, contra 35% que aprovam, segundo pesquisa Quaest divulgada em 13 de outubro.

O que fazer

Diante do cenário crítico, especialistas recomendam que a população, especialmente crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares, permaneça em casa com portas e janelas fechadas, beba bastante água e evite a exposição à fumaça. A exposição às partículas finas pode causar irritação nos olhos, nariz e garganta, tosse, falta de ar e agravamento de doenças respiratórias e cardiovasculares.