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iPhones e perfumes de luxo ficam à deriva no Estreito de Ormuz após naufrágio de navio cargueiro

O acidente ocorreu na última quarta-feira (14) e as imagens de pescadores recolhendo a carga viralizaram nas redes sociais

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Reprodução

O Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta, por onde normalmente escoa um quinto do petróleo e gás global, chamou a atenção internacional esta semana por um motivo incomum: em vez de tensão geopolítica, as imagens que circulam nas redes sociais mostram pescadores recolhendo centenas de caixas de iPhones e perfumes de luxo que ficaram à deriva após o naufrágio do porta-contêineres GFS Pride .

Segundo o jornal britânico The Telegraph, a embarcação transportava mais de 2.500 contêineres e afundou após um incêndio a bordo . O navio, registrado em Singapura, tinha capacidade para 2.824 contêineres padrão (TEU) e foi atingido na última terça-feira (13) enquanto atravessava o estreito .

Versões conflitantes sobre a causa

Não há consenso sobre o que provocou o naufrágio. A Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) afirmou que o navio teria sido desviado para uma rota “não autorizada e perigosa” e acabou atingindo uma mina marítima . Já as autoridades marítimas de Singapura relataram que a embarcação foi atingida por um projétil não identificado, que causou danos e um incêndio de grandes proporções antes do afundamento, deixando as circunstâncias do naufrágio sob disputa .

Especialistas em segurança marítima ouvidos pela imprensa internacional colocam em dúvida a versão da mina. A empresa de análise de risco Marisks declarou não haver evidência independente que comprove que uma mina tenha afundado a embarcação, e descreveu as alegações iranianas como consistentes com uma campanha de operações psicológicas .

Tripulação resgatada e carga de alto valor

Os 21 tripulantes foram resgatados sem ferimentos, segundo a Autoridade Marítima e Portuária de Singapura . O GFS Pride foi o segundo navio a afundar em 24 horas na região, e o terceiro desde o início do conflito entre Estados Unidos e Irã, em fevereiro . A embarcação irmã GFS Giselle também foi atingida por um projétil no dia seguinte, sofreu danos no casco, mas conseguiu chegar a um ancoradouro seguro com os 22 tripulantes .

A carga que ficou à deriva inclui iPhones e perfumes franceses, segundo relatos de pescadores locais. Vídeos mostram dezenas de pequenos barcos cercando os contêineres flutuantes, e um dos pescadores é ouvido dizendo: “Ouvimos que um navio porta-contêineres afundou, então vamos coletar iPhones e perfume” . Ainda não há confirmação oficial sobre a quantidade exata de aparelhos perdidos nem o valor total da carga . A IRGC chegou a alertar embarcações e pescadores locais para que evitassem as caixas flutuantes .

Um estreito sob fogo cruzado

O naufrágio do GFS Pride ocorre em um momento de escalada dos ataques a navios comerciais na região. Segundo a Organização Marítima Internacional (OMI), pelo menos 24 marinheiros morreram em 106 incidentes confirmados desde o início da guerra, em fevereiro . Somente neste mês de outubro, 23 ataques foram registrados — quase o dobro da média mensal desde o começo do conflito .

O Estreito de Ormuz está efetivamente fechado desde o início da guerra entre EUA e Irã, em fevereiro de 2026, devido a ataques iranianos com mísseis e drones contra navios comerciais e a um bloqueio naval americano aos portos iranianos . Um acordo preliminar para reabrir a via chegou a ser firmado em junho, mas colapsou semanas depois com a retomada dos ataques . Apesar do cenário de risco, as exportações de petróleo bruto pela via navegável subiram para cerca de 80% dos níveis pré-guerra (16 milhões de barris por dia, em média) no mês passado, segundo analistas da empresa de dados de navegação Kpler .