Amazonas
Incêndio em Iranduba atinge área de mais de 450 hectares e cobre Manaus de fumaça
Fogo começou na tarde de quarta-feira (30) entre os quilômetros 3 e 4 da AM-070, no distrito de Cacau Pirêra; Corpo de Bombeiros mobilizou 10 viaturas e 50 militares para conter as chamas, que foram controladas na madrugada desta quinta-feira (1º)
Reprodução
Um incêndio de grandes proporções no distrito de Cacau Pirêra, em Iranduba, na Região Metropolitana de Manaus, tem uma área de influência estimada em 453,43 hectares, segundo dados do Painel do Fogo, do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam). O fogo, que começou na tarde de quarta-feira (30) entre os quilômetros 3 e 4 da rodovia AM-070, gerou uma densa camada de fumaça que encobriu a capital amazonense nesta quinta-feira (1º).
De acordo com o Censipam, o conceito de área de influência corresponde à extensão territorial associada ao evento de fogo identificado pelo sistema, mas não significa que toda essa área tenha sido efetivamente consumida pelas chamas. O incêndio foi detectado pela primeira vez na quarta-feira e permaneceu ativo até a madrugada desta quinta, com a última detecção registrada às 2h55.
Combate e controle
O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) mobilizou dez viaturas e cerca de 50 militares para combater o incêndio. As equipes atuaram até aproximadamente 4h desta quinta-feira, quando o fogo foi considerado controlado e extinto. Após o combate direto às chamas, os militares permaneceram na região para realizar o rescaldo e vistoriar a área em busca de novos focos.
Não há registro de feridos. As causas do incêndio ainda são desconhecidas e serão investigadas pelas autoridades competentes.
Qualidade do ar
A fumaça produzida pelo incêndio alterou a qualidade do ar em diferentes pontos de Manaus. Dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), apontam que a qualidade do ar é considerada moderada em diversos bairros da capital nesta manhã. Nos bairros Aparecida e Iranduba, os índices indicam qualidade do ar ruim.
Na noite de quarta-feira (30), a situação foi ainda mais crítica. O bairro Compensa, na Zona Oeste, registrou 234,5 µg/m³ de partículas finas (PM2.5), índice classificado como péssimo pelo Selva. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda concentração de até 15 µg/m³ para exposição de 24 horas — os níveis registrados em Manaus ficaram mais de 14 vezes acima desse parâmetro. Diante da piora, a Defesa Civil emitiu alerta de risco severo para a qualidade do ar e orientou a população a evitar a exposição à fumaça e utilizar máscara ao sair de casa.
Operação Amazonas+Verde
O combate ao incêndio em Iranduba integra as ações da operação Amazonas+Verde, iniciada em maio deste ano e estruturada em quatro eixos: enfrentamento aos ilícitos ambientais, educação ambiental, combate aos incêndios florestais e ampliação da capacidade de resposta operacional.
Segundo o CBMAM, entre 1º de junho e 30 de setembro, foram combatidos 17.178 focos de incêndios em todo o estado. Desse total, 3.798 foram registrados na capital e 13.380 no interior, distribuídos em 3.019 ocorrências atendidas pela corporação e brigadistas. Aproximadamente mil servidores, entre bombeiros militares e brigadistas, participam das ações de combate aos incêndios no estado.
A operação também ampliou a estrutura de atendimento no interior. Entre maio de 2025 e maio de 2026, o número de municípios com bases permanentes da corporação passou de 11 para 25 cidades.
A reportagem procurou a Defesa Civil e o CBMAM para atualizações sobre a área efetivamente atingida e as causas do incêndio, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição. O espaço permanece aberto para manifestações.


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